A Revolução da Comunicação
Mas que coisa! Quando você acha que entende tudo de Internet, que está super antenado com as últimas novidades virtuais, que o homem já superou toda sua capacidade de criação, que não, você não vive mais no passado, pronto! Bastam algumas horas para a novidade deixar de ser novidade.
Até pouco tempo atrás, você cansava de escrever folhas e mais folhas à caneta esferográfica, anexava a um envelope, selava, colocava no correio e aguardava alguns bons dias para chegar ao destino e gerar uma resposta. Então, inventaram o e-mail. Bastam alguns cliques e a mensagem chega ao destinatário em questão de segundos. E com recursos pra lá de sofisticados: se quiser, pode mandar a mesma mensagem para uma leva de destinatários num mesmo clique; pode também mandar algo confidencial a um, com o outro no campo oculto, sem medo ou receio de quebrar o sigilo entre um e outro; pode, ainda, requerer a certeza de recebimento ou leitura da mensagem. Tudo isso, sem a necessidade de comprar envelopes e selos, escrever a carta, ir até o correio para postá-la e ainda esperar pela resposta por, no mínimo, uma semana.
Mas eis que surgem as facilidades do dia-a-dia. Hoje, qual alma não possui um endereço eletrônico? Explorando ainda mais a capacidade humana e firmando a revolução tecnológica que, sabe-se lá se algum dia terminará (espero que não!), o e-mail deixou de ser novidade, cedendo espaço ao chat. Mensagens espontâneas trocadas entre duas ou mais pessoas, a amplitude de tudo quanto é tipo de relacionamento, tudo simultaneamente, subestimando limites e expandindo cada vez mais o mercado virtual e abrindo novas possibilidades. Das salas de bate-papo ao ambiente familiar do MSN ou do ICQ. Novamente, a Internet provando que nem mesmo o universo (virtual) é o limite.
Você dorme, acorda e, de repente, e-mail, MSN, ICQ, tudo o que fora criado, revelam-se simples acessórios. Ferramentas que são partes de algo que ainda não satisfez os limites humanos. Passam a ser simples adequações à vida das pessoas, ao trabalho, à escola, ao meio social. São peças necessárias e indispensáveis a qualquer atividade. Você se vê entrosado e nem cogita a possibilidade do "algo mais". Tudo bem se parou por aí.
Mas não, a coisa não pára. Surge então, uma outra forma de comunicação – o blogue. Sites pessoais, aonde é possível encontrar informação de qualquer gênero, sobretudo, o literário. Um local para divulgação de trabalhos, pensamentos e, inclusive, um espaço para formação de ciclos de amizades. Milhares e milhares de pessoas conectadas a mais esta novidade. Novas adequações e horizontes ampliados.
Quando pensei que já tivesse visto o suficiente, pimba! Surge algo extremamente inovador, extravagante e, aparentemente, insuperável - o Orkut – uma comunidade dentro de muitas outras comunidades - um lugar aonde os relacionamentos são, propriamente ditos, como ciclos. Você entra, convidado por alguém, e, por mais que duvide, vai acabar encontrando um fulano que não vê há anos, com quem estudou algum dia, teve uma affair ou qualquer coisa parecida. De comunidade em comunidade, você percebe que a solidão não passa de um substantivo prepotente que alguém lá atrás inventou e que o mundo é muito, mas muito menor do que você algum dia chegou a imaginar.
Então, inevitavelmente, você vai olhar pra trás e perceber que, quando descobre a novidade, ela já é antiga. Vai descobrir que a cada piscar de olhos tem alguém que pisca mais rápido que você e que, enquanto a gente pensa que o homem ainda está pensando em criar seres robóticos, um outro homem feito do mesmo material que você e, provavelmente, nascido na mesma década que você, já está séculos à sua frente. E, como num despertar religioso, vai descobrir, ainda, que de tudo você pode duvidar, mas nunca da capacidade de criação da mente humana.
Nesse desenvolvimento todo, você se encontrará obrigado (será questão de sobrevivência) a mudar o seu conceito sobre a solidão. Somente estará sozinho aquele que renegar os avanços tecnológicos – a revolução da comunicação.
Não vejo nenhum solitário daqui do outro lado da tela.
junho 28, 2004
junho 25, 2004
The garden and me
Tudo ao seu redor girava como um carrossel. Na sua mente, os pensamentos subiam e desciam, mas não eram delicados e engraçadinhos como os cavalinhos que não sabem relinchar. Eram sim impertinentes e chatos como aquelas crianças que não respeitam o término da brincadeira, que não entendem o olhar de cansaço do pai por não agüentar ficar ali nem mais um ninuto vendo aquele negócio girar e girar e girar e girar.
Era o início de mais um dia e nem sequer havia a possibilidade de dar um "atualizar" e fazer a coisa ficar mais comportada, assim como página na internet que estaciona e fica cheia de "xis" e sem imagem nenhuma, carregada pela metade. Não tinha como.
Não tinha saída. O afastamento da normalidade não era incômodo. O trabalho nas mãos dos outros, fluindo sabe-se lá como também não era problema. Estavam lhe proporcionando uma lavagem cerebral, com a espuma que ela mesma disponibilizara. E ninguém perguntou se aquele banho realmente a deixaria limpa. Mas estava lá, novamente sentada no banco do jardim. Sozinha. As mãos apoiando a cabeça sobre as pernas e os olhos cobertos de lágrimas. Estática. Um corpo sem ação. Os sentidos dominados por estranhos. E as lágrimas escorrendo pelo rosto ininterruptamente. Sem qualquer controle. Uma a uma. Gota por gota.
Alguém não identificado chega ao seu lado. De branco, mas não era um anjo. Pega em seu braço sem dizer nada e a conduz para longe do jardim. O único gesto que faz, para o qual entende a finalidade, é passar a mão no rosto, enxugando as lágrimas. No mais, se deixa ser guiada pela criatura de branco. O destino ela já descobrira - o quarto. Aquele lugar morto, vazio, frio. Uma cama, uma mesa redonda com uma cadeira e um armário sem gavetas. Só. Nenhum objeto como companhia. Um comprimido como alimento e pronto. Acordaria no dia seguinte e veria o trajeto do dia repetir-se novamente: os mesmos donos da verdade, os mesmos comprimidos, a cabeça girando e o jardim. O único que a compreendia de fato, que não dizia que ela estava errada e que não a incomodava. Belo - o jardim das mais belas flores do mundo.
Tudo ao seu redor girava como um carrossel. Na sua mente, os pensamentos subiam e desciam, mas não eram delicados e engraçadinhos como os cavalinhos que não sabem relinchar. Eram sim impertinentes e chatos como aquelas crianças que não respeitam o término da brincadeira, que não entendem o olhar de cansaço do pai por não agüentar ficar ali nem mais um ninuto vendo aquele negócio girar e girar e girar e girar.
Era o início de mais um dia e nem sequer havia a possibilidade de dar um "atualizar" e fazer a coisa ficar mais comportada, assim como página na internet que estaciona e fica cheia de "xis" e sem imagem nenhuma, carregada pela metade. Não tinha como.
Não tinha saída. O afastamento da normalidade não era incômodo. O trabalho nas mãos dos outros, fluindo sabe-se lá como também não era problema. Estavam lhe proporcionando uma lavagem cerebral, com a espuma que ela mesma disponibilizara. E ninguém perguntou se aquele banho realmente a deixaria limpa. Mas estava lá, novamente sentada no banco do jardim. Sozinha. As mãos apoiando a cabeça sobre as pernas e os olhos cobertos de lágrimas. Estática. Um corpo sem ação. Os sentidos dominados por estranhos. E as lágrimas escorrendo pelo rosto ininterruptamente. Sem qualquer controle. Uma a uma. Gota por gota.
Alguém não identificado chega ao seu lado. De branco, mas não era um anjo. Pega em seu braço sem dizer nada e a conduz para longe do jardim. O único gesto que faz, para o qual entende a finalidade, é passar a mão no rosto, enxugando as lágrimas. No mais, se deixa ser guiada pela criatura de branco. O destino ela já descobrira - o quarto. Aquele lugar morto, vazio, frio. Uma cama, uma mesa redonda com uma cadeira e um armário sem gavetas. Só. Nenhum objeto como companhia. Um comprimido como alimento e pronto. Acordaria no dia seguinte e veria o trajeto do dia repetir-se novamente: os mesmos donos da verdade, os mesmos comprimidos, a cabeça girando e o jardim. O único que a compreendia de fato, que não dizia que ela estava errada e que não a incomodava. Belo - o jardim das mais belas flores do mundo.
junho 21, 2004
Mudando
Olho para um lado e... caixas. Olho pra outro e... caixas. Dou um passo e... mais caixas. Tudo encaixotado, tudo perdido em meio à bagunça. Guardados que não se acham. Coisas que encontrarei somente quando não estiver procurando. Sim, mudança é o caos concretizado.
Por um momento, pensei que mudaria apenas de casa. Que ingenuidade a minha. A gente muda de casa e muda de caminho e muda de hábito e muda de opinião. Quando cai em si, você já não é mais a mesma pessoa. Está mudada. No coração, um sentimento estranho. O que é? Não sei. Eu gosto de ter respostas para tudo, mas não tenho medo de dizer que não sei. Talvez seja medo, talvez seja receio, o sexto sentido querendo se manifestar, me prevenir para alguma coisa, falar do retorno àquele lugar onde vivi grande parte da minha vida. Lugar onde cresci, fiz amigos, mantive amigos, escrevi histórias com eles. Talvez sejam apenas sintomas de mudanças. Talvez isso seja a normalidade com que não estou acostumada. Talvez seja eu crescendo ou simplesmente, sendo eu mesma.
Assim como eu, aquele lugar também mudou. Não encontro mais todos os meus amigos. Meus vizinhos não são mais os mesmos. O cachorro que furava as minhas bolas não está mais lá. O terreno enorme que tinha em frente a casa transformou-se num belo sobrado. As menininhas que brincavam de boneca no quintal agora caminham de mãos dadas, com os mesmos menininhos que jogavam futebol na rua. Nem mesmo a festa junina que ocorria todos os anos é a mesma. Não é mais feita com a mesma alegria e o mesmo entusiasmo de antes. Apenas acontece. Como uma tradição boba.
Um retorno com gosto de mudança e, ao mesmo tempo, de coisas que não mudaram. As mesmas escadas, facilmente reconhecidas pelas minhas pernas. Nas paredes, as mãos, minhas e da minha irmã. Marcas de treze anos. Tão singelas, ingênuas, que nem sequer mereceram uma repreensão por desperdiçar tinta e carimbar a parede com uma lembrança que lá permanecerá, enquanto a casa estiver em pé. No quintal, o mesmo suporte do balanço, cenário de muitas risadas, briguinhas e festinhas. A piscina dos ganços transformou-se num mini-jardim mal cuidado. É difícil olhar lá de cima e não ver os doze ganços querendo pegar o Salomé, que também corria da Pombosa, a galinha. Seria o papagaio chinês confundido com um pedaço de couve verde? Ah, sim, o Negão correndo pelo quintal, arrastando enormes ursos de pelúcia que pegava escondido. Seriam os ursos confundidos com a espécie do canino? O coqueiro continua lá, agora, com suas folhas menores e sem cocos. À noite, uma iluminação melhor, diferente da época que brincávamos de polícia e ladrão, esconde-esconde, casa do terror.
Na casa, novos habitantes que, certamente, assim como eu, também terão saudades de algum tempo. De outras marcas. De outros animais. De outras brincadeiras. Talvez eu também tenha novas saudades daqui a algum tempo. Mas de uma coisa eu não tenho dúvidas: serei outra, estarei mudada. Porque a mudança é uma constante em nossas vidas.
Olho para um lado e... caixas. Olho pra outro e... caixas. Dou um passo e... mais caixas. Tudo encaixotado, tudo perdido em meio à bagunça. Guardados que não se acham. Coisas que encontrarei somente quando não estiver procurando. Sim, mudança é o caos concretizado.
Por um momento, pensei que mudaria apenas de casa. Que ingenuidade a minha. A gente muda de casa e muda de caminho e muda de hábito e muda de opinião. Quando cai em si, você já não é mais a mesma pessoa. Está mudada. No coração, um sentimento estranho. O que é? Não sei. Eu gosto de ter respostas para tudo, mas não tenho medo de dizer que não sei. Talvez seja medo, talvez seja receio, o sexto sentido querendo se manifestar, me prevenir para alguma coisa, falar do retorno àquele lugar onde vivi grande parte da minha vida. Lugar onde cresci, fiz amigos, mantive amigos, escrevi histórias com eles. Talvez sejam apenas sintomas de mudanças. Talvez isso seja a normalidade com que não estou acostumada. Talvez seja eu crescendo ou simplesmente, sendo eu mesma.
Assim como eu, aquele lugar também mudou. Não encontro mais todos os meus amigos. Meus vizinhos não são mais os mesmos. O cachorro que furava as minhas bolas não está mais lá. O terreno enorme que tinha em frente a casa transformou-se num belo sobrado. As menininhas que brincavam de boneca no quintal agora caminham de mãos dadas, com os mesmos menininhos que jogavam futebol na rua. Nem mesmo a festa junina que ocorria todos os anos é a mesma. Não é mais feita com a mesma alegria e o mesmo entusiasmo de antes. Apenas acontece. Como uma tradição boba.
Um retorno com gosto de mudança e, ao mesmo tempo, de coisas que não mudaram. As mesmas escadas, facilmente reconhecidas pelas minhas pernas. Nas paredes, as mãos, minhas e da minha irmã. Marcas de treze anos. Tão singelas, ingênuas, que nem sequer mereceram uma repreensão por desperdiçar tinta e carimbar a parede com uma lembrança que lá permanecerá, enquanto a casa estiver em pé. No quintal, o mesmo suporte do balanço, cenário de muitas risadas, briguinhas e festinhas. A piscina dos ganços transformou-se num mini-jardim mal cuidado. É difícil olhar lá de cima e não ver os doze ganços querendo pegar o Salomé, que também corria da Pombosa, a galinha. Seria o papagaio chinês confundido com um pedaço de couve verde? Ah, sim, o Negão correndo pelo quintal, arrastando enormes ursos de pelúcia que pegava escondido. Seriam os ursos confundidos com a espécie do canino? O coqueiro continua lá, agora, com suas folhas menores e sem cocos. À noite, uma iluminação melhor, diferente da época que brincávamos de polícia e ladrão, esconde-esconde, casa do terror.
Na casa, novos habitantes que, certamente, assim como eu, também terão saudades de algum tempo. De outras marcas. De outros animais. De outras brincadeiras. Talvez eu também tenha novas saudades daqui a algum tempo. Mas de uma coisa eu não tenho dúvidas: serei outra, estarei mudada. Porque a mudança é uma constante em nossas vidas.
junho 18, 2004
Engavete o diploma e desengavete a proatividade
Quando falo para as pessoas que fiz Letras, a primeira coisa que me perguntam é sobre onde leciono. Então, quando digo que simplesmente não leciono, o olhar que me lançam é de “Como não?”. Pior do que não ter curso universitário hoje em dia é ser subestimado pelo que as pessoas pensam ser o curso que você fez. Posso ler os pensamentos, exibidos em suas testas: “taí mais uma que engavetou o diploma!”.
Seria muito mais fácil relacionar o fato de eu não lecionar com a crise do desemprego, crise econômica, crise de choro ou qualquer outra crise que se ouve por aí. Mas não. Chego a ouvir coisas do tipo “é por isso que eu não estudo, assim, não jogo meu dinheiro fora”.
Espera aí. Quem foi que disse que eu joguei o meu dinheiro fora? Pior: quem foi que disse que o fato de eu não lecionar tem alguma coisa a ver com o suposto fato de eu ter dedicado anos a um curso cuja profissão principal não me agrada? Pelo menos não agora. E quem disse, ainda, que o indivíduo que cursou Letras tem somente a área da educação para atuar?
As respostas para todos esses questionamentos foram os argumentos que me impulsionaram a dar este passo na minha vida, ignorando, sobretudo, a convicção que sempre me acompanhou, repetindo muitas e muitas vezes que jamais seria professora. Tudo bem, isso pode acontecer nos momentos mais confusos da sua vida. Então, um dia você cresce, amadurece e é obrigada a encarar os fatos. O que é melhor?
1. Terminar o Ensino Médio e esperar seu pai ganhar na mega-sena para ingressar no curso que te agrada, formar-se na profissão que, por ora, sempre sonhou? ou
2. Encarar a realidade, ingressar no curso que tem condições de bancar e ao menos ter um objetivo traçado facilmente de ser alcançado?
Quando eu era pequena, dizia que seria veterinária. Qual a criança que nunca disse disso? Mais tarde, pintam outras possibilidades: Biologia ou Matemática? As ciências exatas estão bem moldadas no mercado de trabalho atualmente. Matemática agora, Administração depois, já com um emprego consolidado, e um futuro brilhante. Puff! Desfaz-se a nuvenzinha. Que matemática, que nada! Você sempre foi péssima nessa disciplina e até hoje não se entende com a calculadora. Vamos com calma! Você adora ler. Se amarra em escrever. Todo mundo diz que tem uma boa redação. Letras!
Meses depois do ingresso na faculdade, um emprego de estagiária. Oh, ela já não faz mais parte do grupo dos desempregados! Função? Ah, sim. Responder mensagens via e-mail. Atendimento ao Cliente com textos de autoria própria. A façanha de seguir padrões, implementando, construindo, transformando. Pronto: o padrão agora é criar. Mais tarde, o desenvolvimento de um programa de qualidade para aprimorar o desempenho da equipe. Idéias e mais idéias surgindo e fluindo. O resultado? Um atendimento ao cliente por meio da linguagem escrita, embasado na eficiência e encantamento.
Um ano após o término da faculdade, a literatura como paixão e nada de lecionar. Está vendo? Não basta ter um diploma, é necessário ser proativa. Diploma engavetado, né? Sei...
Quando falo para as pessoas que fiz Letras, a primeira coisa que me perguntam é sobre onde leciono. Então, quando digo que simplesmente não leciono, o olhar que me lançam é de “Como não?”. Pior do que não ter curso universitário hoje em dia é ser subestimado pelo que as pessoas pensam ser o curso que você fez. Posso ler os pensamentos, exibidos em suas testas: “taí mais uma que engavetou o diploma!”.
Seria muito mais fácil relacionar o fato de eu não lecionar com a crise do desemprego, crise econômica, crise de choro ou qualquer outra crise que se ouve por aí. Mas não. Chego a ouvir coisas do tipo “é por isso que eu não estudo, assim, não jogo meu dinheiro fora”.
Espera aí. Quem foi que disse que eu joguei o meu dinheiro fora? Pior: quem foi que disse que o fato de eu não lecionar tem alguma coisa a ver com o suposto fato de eu ter dedicado anos a um curso cuja profissão principal não me agrada? Pelo menos não agora. E quem disse, ainda, que o indivíduo que cursou Letras tem somente a área da educação para atuar?
As respostas para todos esses questionamentos foram os argumentos que me impulsionaram a dar este passo na minha vida, ignorando, sobretudo, a convicção que sempre me acompanhou, repetindo muitas e muitas vezes que jamais seria professora. Tudo bem, isso pode acontecer nos momentos mais confusos da sua vida. Então, um dia você cresce, amadurece e é obrigada a encarar os fatos. O que é melhor?
1. Terminar o Ensino Médio e esperar seu pai ganhar na mega-sena para ingressar no curso que te agrada, formar-se na profissão que, por ora, sempre sonhou? ou
2. Encarar a realidade, ingressar no curso que tem condições de bancar e ao menos ter um objetivo traçado facilmente de ser alcançado?
Quando eu era pequena, dizia que seria veterinária. Qual a criança que nunca disse disso? Mais tarde, pintam outras possibilidades: Biologia ou Matemática? As ciências exatas estão bem moldadas no mercado de trabalho atualmente. Matemática agora, Administração depois, já com um emprego consolidado, e um futuro brilhante. Puff! Desfaz-se a nuvenzinha. Que matemática, que nada! Você sempre foi péssima nessa disciplina e até hoje não se entende com a calculadora. Vamos com calma! Você adora ler. Se amarra em escrever. Todo mundo diz que tem uma boa redação. Letras!
Meses depois do ingresso na faculdade, um emprego de estagiária. Oh, ela já não faz mais parte do grupo dos desempregados! Função? Ah, sim. Responder mensagens via e-mail. Atendimento ao Cliente com textos de autoria própria. A façanha de seguir padrões, implementando, construindo, transformando. Pronto: o padrão agora é criar. Mais tarde, o desenvolvimento de um programa de qualidade para aprimorar o desempenho da equipe. Idéias e mais idéias surgindo e fluindo. O resultado? Um atendimento ao cliente por meio da linguagem escrita, embasado na eficiência e encantamento.
Um ano após o término da faculdade, a literatura como paixão e nada de lecionar. Está vendo? Não basta ter um diploma, é necessário ser proativa. Diploma engavetado, né? Sei...
junho 15, 2004
Uma só palavra nem sempre basta
Se tem uma coisa que eu detesto é censura. Tudo bem, eu vivo dizendo por aí que gostaria de ter nascido umas duas ou três décadas antes da de 80, mas é só pra ter podido combater esse mal como ele realmente mereceu. Naquela época teria um gostinho especial, manja?
Olha só, eu nunca me entitulei escritora. Eu não tenho livro em meu nome, nem casa e nem carro. NÃO SOU ESCRITORA, deu pra entender? Certo. Este espaço tem muito de mim, mas também NÃO É UM DIÁRIO, ouviu bem?
Este aqui é o MEU espaço, aonde eu escrevo o que EU quiser e sobre quem eu quiser. Se não tiver vontade de ler, não leia. O endereço já não é muito fácil mesmo e além do mais, sempre pinta a dúvida se é com "s" ou com "z", o que não torna muito difícil esquecê-lo pra todo o sempre e sempre, amém.
Ah, já ia me esquecendo: não escrevo mentiras. Se você não vê um fundo de verdade, encare como ficção. Mas eu, meu amigo, NÃO ESCREVO MENTIRAS. Um escritor, talvez. Mas eu não sou escritora.
E, só para fixar bem: eu sou meio tribalista, sabe? Não sou de ninguém. Portanto, não venha me dizer o que eu devo ou não fazer. Muito menos como fazer. Eu faço o que eu quero e escrevo o que sou. Você não me lê, você não me conhece.
Se tem uma coisa que eu detesto é censura. Tudo bem, eu vivo dizendo por aí que gostaria de ter nascido umas duas ou três décadas antes da de 80, mas é só pra ter podido combater esse mal como ele realmente mereceu. Naquela época teria um gostinho especial, manja?
Olha só, eu nunca me entitulei escritora. Eu não tenho livro em meu nome, nem casa e nem carro. NÃO SOU ESCRITORA, deu pra entender? Certo. Este espaço tem muito de mim, mas também NÃO É UM DIÁRIO, ouviu bem?
Este aqui é o MEU espaço, aonde eu escrevo o que EU quiser e sobre quem eu quiser. Se não tiver vontade de ler, não leia. O endereço já não é muito fácil mesmo e além do mais, sempre pinta a dúvida se é com "s" ou com "z", o que não torna muito difícil esquecê-lo pra todo o sempre e sempre, amém.
Ah, já ia me esquecendo: não escrevo mentiras. Se você não vê um fundo de verdade, encare como ficção. Mas eu, meu amigo, NÃO ESCREVO MENTIRAS. Um escritor, talvez. Mas eu não sou escritora.
E, só para fixar bem: eu sou meio tribalista, sabe? Não sou de ninguém. Portanto, não venha me dizer o que eu devo ou não fazer. Muito menos como fazer. Eu faço o que eu quero e escrevo o que sou. Você não me lê, você não me conhece.
junho 13, 2004
A visão do mundo exterior
Alguém aí viu a visão do mundo exterior?
Aquela cúpula de pessoas decadentes na calçada,
embaçada aos meus olhos.
A tela da tevê está destorcida e a do cinema também.
Somente os meus ouvidos escutam a música sórdida que toca ao meu redor.
E as palavras imundas e sem nexo que saem das várias bocas que eu não vejo.
O que eu não vejo mesmo, com grande esforço, é a visão do mundo exterior.
O juízo talvez esteja ao alcance das minhas vistas.
O bom senso, apenas a alguns metros adiante.
Mas ela, a cura do mal, a compreensão do bem, não consigo enxergar.
Será o mau vítima do próprio mal?
Ou será a singularidade a concretude do mal?
A visão do invisível é ela, aquilo que não vejo.
A visão do mundo exterior – a busca dos que não entendem o que devem buscar.
Precisam buscar.
Alguém aí viu a visão do mundo exterior?
Aquela cúpula de pessoas decadentes na calçada,
embaçada aos meus olhos.
A tela da tevê está destorcida e a do cinema também.
Somente os meus ouvidos escutam a música sórdida que toca ao meu redor.
E as palavras imundas e sem nexo que saem das várias bocas que eu não vejo.
O que eu não vejo mesmo, com grande esforço, é a visão do mundo exterior.
O juízo talvez esteja ao alcance das minhas vistas.
O bom senso, apenas a alguns metros adiante.
Mas ela, a cura do mal, a compreensão do bem, não consigo enxergar.
Será o mau vítima do próprio mal?
Ou será a singularidade a concretude do mal?
A visão do invisível é ela, aquilo que não vejo.
A visão do mundo exterior – a busca dos que não entendem o que devem buscar.
Precisam buscar.
junho 12, 2004
Fases
Analisar as fases do crescimento humano é uma tarefa bastante curiosa. Todo mundo convive com isso. Se ainda não chegou lá, certamente tem um irmão ou um primo no meio do trajeto. Ou então, cansa de ouvir um adulto sabichão repetindo “mas aquele menino. Que idade difícil, meu Deus!”.
É, meu amigo, a coisa não é nada fácil. Há algum tempo era super bacana sair mais cedo do colégio (sem uma dispensa oficial), e juntar a galera toda pra comer pizza na casa de um ou outro. Ou andar em bando no shopping center, sem pais ou irmão mais velho, provando da tão sonhada tal liberdade. Então, bastam dois, no máximo três anos mais tarde, pra você descobrir que a vida não era tão supimpa assim. É só ter a responsabilidade de bancar a conta telefônica pra descobrir que é muito mais lucrativo atravessar a rua e bater aquele papo pessoalmente do que passar horas falando ao telefone. Tem também aquela calça ou aquele tênis da grife não sei das quantas. Pensando bem, nem são tão legais assim.
Sei, tem muita mãe lendo isso aqui e não se cabendo em si com o fatídico “Eu não disse!”. Tá bom, é engraçado. Mas vocês, mães, devem entender que isso tudo é uma questão de fase. E, como bem é de conhecimento de todas, as fases passam e ficam as experiências. Sim, sim, e as experiências se vivenciam. Não tem como pegar emprestado, sacaram?
Se você aí está num momento complicado com a sua menina ou o seu moleque, dê tempo ao tempo porque as pessoas crescem e amadurecem (costuma acontecer com a maioria, pode acreditar). Nada como um futuro próspero.
Analisar as fases do crescimento humano é uma tarefa bastante curiosa. Todo mundo convive com isso. Se ainda não chegou lá, certamente tem um irmão ou um primo no meio do trajeto. Ou então, cansa de ouvir um adulto sabichão repetindo “mas aquele menino. Que idade difícil, meu Deus!”.
É, meu amigo, a coisa não é nada fácil. Há algum tempo era super bacana sair mais cedo do colégio (sem uma dispensa oficial), e juntar a galera toda pra comer pizza na casa de um ou outro. Ou andar em bando no shopping center, sem pais ou irmão mais velho, provando da tão sonhada tal liberdade. Então, bastam dois, no máximo três anos mais tarde, pra você descobrir que a vida não era tão supimpa assim. É só ter a responsabilidade de bancar a conta telefônica pra descobrir que é muito mais lucrativo atravessar a rua e bater aquele papo pessoalmente do que passar horas falando ao telefone. Tem também aquela calça ou aquele tênis da grife não sei das quantas. Pensando bem, nem são tão legais assim.
Sei, tem muita mãe lendo isso aqui e não se cabendo em si com o fatídico “Eu não disse!”. Tá bom, é engraçado. Mas vocês, mães, devem entender que isso tudo é uma questão de fase. E, como bem é de conhecimento de todas, as fases passam e ficam as experiências. Sim, sim, e as experiências se vivenciam. Não tem como pegar emprestado, sacaram?
Se você aí está num momento complicado com a sua menina ou o seu moleque, dê tempo ao tempo porque as pessoas crescem e amadurecem (costuma acontecer com a maioria, pode acreditar). Nada como um futuro próspero.
junho 07, 2004
Falando com estranhos
- Bom-dia!
- Bom-dia! Pra onde vamos?
- Alphaville, por favor.
- Alphaville? Longe, né?
- É...
- Algum caminho em especial?
- O mais rápido, por favor. Preciso estar lá até o meio-dia.
- Sem problemas. Vou pegar a Bandeirantes e não vai ter atraso. Nesta hora, o tráfego não é tão ruim.
- Ótimo.
***
- Você trabalha numa empresa de informática?
- Não.
- Então, em uma construtora?
- Hum, hum.
- O que você faz?
- Marketing. Trabalho numa empresa de marketing.
- Ah, tá.
***
- Está um dia bonito hoje, né?
- É...
- Você tem celular?
- Como??
- Eu perguntei se você tem celular?
- ...
- Você acredita que eu esqueci todos os meus documentos em casa? E, pra ajudar, meu celular está sem créditos. Então, se você puder me ajudar e ligar para o celular da minha cunhada...
- ...
- Não precisa nem atender, não. É só discar. Então, ela retornaria para você, que pediria para ela me ligar.
- Sei. Estou sem créditos.
- Seu celular é Tim ou Vivo?
- Tim, moço...
- Então, faz ligação a cobrar...
- Não. O meu não.
- Ah, então tá.
***
- Você torce para qual time?
- Não torço.
- Ah, que isso! Você deve ter simpatia por algum, vai...
- Não gosto de futebol.
- Tá com vergonha de dizer que torce para o Corinthians, né?
- ...
***
- Xii, vamos ter que pagar pedágio, né?
- Não sei.
- É, vamos sim. Será que eu tenho dinheiro? Quanto está o pedágio, hein?
- Deixe eu ver se entendi. Você está cumprindo seu expediente dentro de um táxi sem documento nenhum e sem dinheiro para o pedágio?
- Ah, não. Sei de um caminho que não será preciso.
- ...
***
- O que você vai fazer em Alphaville?
- Como?
- Não, é que se você não for demorar, posso te esperar. Sem cobrar pela espera, claro. É que a corrida é boa.
- Vou demorar.
- É uma reunião?
- Aqui, entre à direita, por favor. Pode seguir.
- Então...
- Faça o retorno ali, à esquerda, e pare ali naquela segunda entrada.
- Será que eles deixam eu esperar aqui dentro?
- Assine aqui, por favor e, olha, não precisa me esperar. Vou demorar.
- Está bem, então. Boa reunião!
- Tchau.
- Bom-dia!
- Bom-dia! Pra onde vamos?
- Alphaville, por favor.
- Alphaville? Longe, né?
- É...
- Algum caminho em especial?
- O mais rápido, por favor. Preciso estar lá até o meio-dia.
- Sem problemas. Vou pegar a Bandeirantes e não vai ter atraso. Nesta hora, o tráfego não é tão ruim.
- Ótimo.
***
- Você trabalha numa empresa de informática?
- Não.
- Então, em uma construtora?
- Hum, hum.
- O que você faz?
- Marketing. Trabalho numa empresa de marketing.
- Ah, tá.
***
- Está um dia bonito hoje, né?
- É...
- Você tem celular?
- Como??
- Eu perguntei se você tem celular?
- ...
- Você acredita que eu esqueci todos os meus documentos em casa? E, pra ajudar, meu celular está sem créditos. Então, se você puder me ajudar e ligar para o celular da minha cunhada...
- ...
- Não precisa nem atender, não. É só discar. Então, ela retornaria para você, que pediria para ela me ligar.
- Sei. Estou sem créditos.
- Seu celular é Tim ou Vivo?
- Tim, moço...
- Então, faz ligação a cobrar...
- Não. O meu não.
- Ah, então tá.
***
- Você torce para qual time?
- Não torço.
- Ah, que isso! Você deve ter simpatia por algum, vai...
- Não gosto de futebol.
- Tá com vergonha de dizer que torce para o Corinthians, né?
- ...
***
- Xii, vamos ter que pagar pedágio, né?
- Não sei.
- É, vamos sim. Será que eu tenho dinheiro? Quanto está o pedágio, hein?
- Deixe eu ver se entendi. Você está cumprindo seu expediente dentro de um táxi sem documento nenhum e sem dinheiro para o pedágio?
- Ah, não. Sei de um caminho que não será preciso.
- ...
***
- O que você vai fazer em Alphaville?
- Como?
- Não, é que se você não for demorar, posso te esperar. Sem cobrar pela espera, claro. É que a corrida é boa.
- Vou demorar.
- É uma reunião?
- Aqui, entre à direita, por favor. Pode seguir.
- Então...
- Faça o retorno ali, à esquerda, e pare ali naquela segunda entrada.
- Será que eles deixam eu esperar aqui dentro?
- Assine aqui, por favor e, olha, não precisa me esperar. Vou demorar.
- Está bem, então. Boa reunião!
- Tchau.
junho 02, 2004
ARRASTANDO MARAVILHAS
(Kali C. / Alexandre Lemos) - Setembro / EMI
Eu não tenho muito, quase nada
Só a sombra do meu corpo sobre a estrada
Misturada a galhos secos
Eu só tenho becos e perguntas
Minha alma e minha culpa dormem juntas
Eu não tenho frio nos meus versos
Mas também não sei dos outros universos
Que carrego paralelos
Eu não tenho elos, nem correntes
Meus fantasmas sempre foram diferentes
Eu não tenho ilhas no tesouro
Nem lugar em casa para desaforo
Nem espaço pra lamento
Eu não tenho vento que me pegue
Nem diabo que me agüente ou me carregue
Eu tenho convites e te chamo
Minha natureza está no que eu te amo
Mesmo nesse mundo louco
Eu só tenho pouco tempo agora
Posso esperar, mas não demora
No silêncio do vazio
Arrastando maravilhas
Nem vertigem, nem limites
Daqui a pouco é outro dia.
(Kali C. / Alexandre Lemos) - Setembro / EMI
Eu não tenho muito, quase nada
Só a sombra do meu corpo sobre a estrada
Misturada a galhos secos
Eu só tenho becos e perguntas
Minha alma e minha culpa dormem juntas
Eu não tenho frio nos meus versos
Mas também não sei dos outros universos
Que carrego paralelos
Eu não tenho elos, nem correntes
Meus fantasmas sempre foram diferentes
Eu não tenho ilhas no tesouro
Nem lugar em casa para desaforo
Nem espaço pra lamento
Eu não tenho vento que me pegue
Nem diabo que me agüente ou me carregue
Eu tenho convites e te chamo
Minha natureza está no que eu te amo
Mesmo nesse mundo louco
Eu só tenho pouco tempo agora
Posso esperar, mas não demora
No silêncio do vazio
Arrastando maravilhas
Nem vertigem, nem limites
Daqui a pouco é outro dia.
maio 28, 2004
Curriculum Vitae
Sou do tipo que adora um papo-cabeça, discutir a relação e ter o dom da discórdia. Não consigo ler em ônibus nem que a vaca tussa, detesto que sequer olhem para as minhas coisas em casa e não tô nem aí para os vizinhos que me chamam de metida porque eu gosto de economizar bons-dias pela manhã.
Até um tempo atrás, não admitia que falassem obscenidades na minha presença e levava qualquer briguinha aos extremos. Sou craque em interferir na educação do meu sobrinho-afilhado, mas sei que não sou um bom exemplo. Sou taxativa até o ponto de ter que liberar qualquer eletrodoméstico que ele queira fazer de brinquedo, para não ouvir pela centésima vez a Lala falando naquela fita: "de novo! de novo!". Urg! A "fita da Lala" é o efeito paralizante dele, mas eu prefiro mil vezes o Vitinho na sua versão original.
Tiro meus óculos para todas as refeições e não vivo sem meu walkman na bolsa. Deixo os meninos da tecnologia com os cabelos em pé quando meu Media Player apresenta qualquer sintoma de desconforto, e arranco inúmeras risadas no escritório quando penso que estou cantando em italiano.
Adoro quando as pessoas vêm ao meu lado perguntar sobre os personagens dos desenhos da Disney que ficam na minha mesa ou pedir qualquer indicação de leitura. Ou quando o Ryl me manda um texto incrivelmente interessante, perguntando minha opinião, só para gerar alguma argumentação inicial para o seu trabalho de faculdade.
Amo ir ao cinema sozinha em dia de semana, comprar pipoca para comer com sachê de pimenta e coca-cola, e ficar observando aquelas poucas pessoas presentes e a sala imensamente vazia. E depois, sentar na cafeteria do shopping para escrever após o filme. E no dia seguinte, comentar o filme e descobrir que minha opinião é diferente da de todo mundo, ignorando o fato de que os filmes que eu gosto não faz o gênero da maioria das pessoas que conheço.
Brigo com o Jackes todos os dias por e-mail e me descontrolo quando ele vem com o papo de que não vai me acompanhar a algum lugar porque não conhece as pessoas que estarão presentes. Mas morro de rir quando ele fica os shows inteiros identificando os artistas e seus acompanhantes, tentando me lembrar de seus personagens nas novelas. Acho que ele seria um ótimo "fofoqueiro".
Já tentei gostar de futebol, mas não levo jeito. Quando um menininho de cinco anos tentou me explicar o fenômeno do escanteio outro dia, fiquei fascinada, agarrei ele e tasquei-lhe um beijo. Aquela criaturinha que entendia de futebol tanto quanto o Pelé era simplesmente incrível. Igualmente fascinada fico quando um bando de marmanjão começa a discutir com o juíz (como se ele fosse ouvi-los lá de dentro da tela plana, 29"), dizendo que o tal fenômeno ocorreu, quando o homem de preto insiste em dizer o contrário. Fato esse que eu teria dificuldades para entender mesmo por meio de uma análise digital minuciosamente representada por gráficos e com a certeza de acontecimento assinada pelo Papa.
E ainda assim, sou obrigada a ouvir de certas pessoas o quão chata que sou. Alguma vez eu disse o contrário? Faça bom uso do meu currículo aquele que decidir me encarar.
Sou do tipo que adora um papo-cabeça, discutir a relação e ter o dom da discórdia. Não consigo ler em ônibus nem que a vaca tussa, detesto que sequer olhem para as minhas coisas em casa e não tô nem aí para os vizinhos que me chamam de metida porque eu gosto de economizar bons-dias pela manhã.
Até um tempo atrás, não admitia que falassem obscenidades na minha presença e levava qualquer briguinha aos extremos. Sou craque em interferir na educação do meu sobrinho-afilhado, mas sei que não sou um bom exemplo. Sou taxativa até o ponto de ter que liberar qualquer eletrodoméstico que ele queira fazer de brinquedo, para não ouvir pela centésima vez a Lala falando naquela fita: "de novo! de novo!". Urg! A "fita da Lala" é o efeito paralizante dele, mas eu prefiro mil vezes o Vitinho na sua versão original.
Tiro meus óculos para todas as refeições e não vivo sem meu walkman na bolsa. Deixo os meninos da tecnologia com os cabelos em pé quando meu Media Player apresenta qualquer sintoma de desconforto, e arranco inúmeras risadas no escritório quando penso que estou cantando em italiano.
Adoro quando as pessoas vêm ao meu lado perguntar sobre os personagens dos desenhos da Disney que ficam na minha mesa ou pedir qualquer indicação de leitura. Ou quando o Ryl me manda um texto incrivelmente interessante, perguntando minha opinião, só para gerar alguma argumentação inicial para o seu trabalho de faculdade.
Amo ir ao cinema sozinha em dia de semana, comprar pipoca para comer com sachê de pimenta e coca-cola, e ficar observando aquelas poucas pessoas presentes e a sala imensamente vazia. E depois, sentar na cafeteria do shopping para escrever após o filme. E no dia seguinte, comentar o filme e descobrir que minha opinião é diferente da de todo mundo, ignorando o fato de que os filmes que eu gosto não faz o gênero da maioria das pessoas que conheço.
Brigo com o Jackes todos os dias por e-mail e me descontrolo quando ele vem com o papo de que não vai me acompanhar a algum lugar porque não conhece as pessoas que estarão presentes. Mas morro de rir quando ele fica os shows inteiros identificando os artistas e seus acompanhantes, tentando me lembrar de seus personagens nas novelas. Acho que ele seria um ótimo "fofoqueiro".
Já tentei gostar de futebol, mas não levo jeito. Quando um menininho de cinco anos tentou me explicar o fenômeno do escanteio outro dia, fiquei fascinada, agarrei ele e tasquei-lhe um beijo. Aquela criaturinha que entendia de futebol tanto quanto o Pelé era simplesmente incrível. Igualmente fascinada fico quando um bando de marmanjão começa a discutir com o juíz (como se ele fosse ouvi-los lá de dentro da tela plana, 29"), dizendo que o tal fenômeno ocorreu, quando o homem de preto insiste em dizer o contrário. Fato esse que eu teria dificuldades para entender mesmo por meio de uma análise digital minuciosamente representada por gráficos e com a certeza de acontecimento assinada pelo Papa.
E ainda assim, sou obrigada a ouvir de certas pessoas o quão chata que sou. Alguma vez eu disse o contrário? Faça bom uso do meu currículo aquele que decidir me encarar.
maio 27, 2004
Ela por Ela mesma
O frio lá fora continua. E é bom porque se você estiver com a cabeça quente, basta abrir a janela.
O horóscopo diário insiste em afirmar a tal da racionalidade, que até agora eu não tive paciência para compreender. Paciência! Porque até agora eu também não entendi o porquê de ler essas palavras todos os dias, assim, como uma religião. Espera aí, mas não é uma religião? Talvez seja. Mas no fundo, no fundo é uma tentativa de prever o futuro, de saber o que os astros reservam e essas baboseiras todas. E eu, tão racional, como ele diz - o horóscopo - ignoro o fato de como um astrólogo lança algumas palavrinhas e essas palavrinhas servem para traçar, desvendar, ou seja lá o que for, o destino de milhares e milhares de pessoas do mesmo signo, dizendo o que acontecerá ou como elas estão se sentindo, assim, tudo ao mesmo tempo, como se todas as pessoas fossem iguais.
Um tanto quanto curioso, não? Tudo bem, nem posso falar muito porque sou rendida a essas palavras todos os dias e, não sei se verdade ou coincidência, sempre acabo relacionando algum fato ou acontecimento da minha vida a elas. É impressionante, mas elas sempre acabam desvendando meu estado de espírito. Vai ver são palavrinhas estratégicas. Ops! Acho que acabo de descobrir a minha tal racionalidade.
Quer saber? Acho que eu sou racional mesmo. Sou do tipo que acorda de manhã e antes mesmo de sair de casa já consigo saber se o meu estado de espírito será chato ou chatíssimo. Peraí, você também deve fazer isso. Tá, mas duvido que logo cedo você mande um e-mail ao seu melhor amigo avisando-o para não encher a sua paciência porque você não está num bom dia. Tudo bem, isso pode simplesmente não ser racional e sim um sintoma da sua chatisse incontrolável. Ou melhor, da minha.
Você aí deve estar pensando que estou assinando minha sentença de monstro, insensível e destruidora de corações. Não, meu amigo, não é nada disso. Sou até sentimental demais, se você quer saber. Choro até com final de novela e, dependendo do dia, meus olhinhos enchem-se de lágrimas ao ver um cachorrinho largado na rua. E eu nem gosto tanto de cachorrinhos assim. Isso é sinal de inconstância, aliás, característica também identificada pelo horóscopo. Se você for um bom observador, deve ter percebido essa falta de ritmo aqui no Proseando. E então, agora você quer falar de quê?
O frio lá fora continua. E é bom porque se você estiver com a cabeça quente, basta abrir a janela.
O horóscopo diário insiste em afirmar a tal da racionalidade, que até agora eu não tive paciência para compreender. Paciência! Porque até agora eu também não entendi o porquê de ler essas palavras todos os dias, assim, como uma religião. Espera aí, mas não é uma religião? Talvez seja. Mas no fundo, no fundo é uma tentativa de prever o futuro, de saber o que os astros reservam e essas baboseiras todas. E eu, tão racional, como ele diz - o horóscopo - ignoro o fato de como um astrólogo lança algumas palavrinhas e essas palavrinhas servem para traçar, desvendar, ou seja lá o que for, o destino de milhares e milhares de pessoas do mesmo signo, dizendo o que acontecerá ou como elas estão se sentindo, assim, tudo ao mesmo tempo, como se todas as pessoas fossem iguais.
Um tanto quanto curioso, não? Tudo bem, nem posso falar muito porque sou rendida a essas palavras todos os dias e, não sei se verdade ou coincidência, sempre acabo relacionando algum fato ou acontecimento da minha vida a elas. É impressionante, mas elas sempre acabam desvendando meu estado de espírito. Vai ver são palavrinhas estratégicas. Ops! Acho que acabo de descobrir a minha tal racionalidade.
Quer saber? Acho que eu sou racional mesmo. Sou do tipo que acorda de manhã e antes mesmo de sair de casa já consigo saber se o meu estado de espírito será chato ou chatíssimo. Peraí, você também deve fazer isso. Tá, mas duvido que logo cedo você mande um e-mail ao seu melhor amigo avisando-o para não encher a sua paciência porque você não está num bom dia. Tudo bem, isso pode simplesmente não ser racional e sim um sintoma da sua chatisse incontrolável. Ou melhor, da minha.
Você aí deve estar pensando que estou assinando minha sentença de monstro, insensível e destruidora de corações. Não, meu amigo, não é nada disso. Sou até sentimental demais, se você quer saber. Choro até com final de novela e, dependendo do dia, meus olhinhos enchem-se de lágrimas ao ver um cachorrinho largado na rua. E eu nem gosto tanto de cachorrinhos assim. Isso é sinal de inconstância, aliás, característica também identificada pelo horóscopo. Se você for um bom observador, deve ter percebido essa falta de ritmo aqui no Proseando. E então, agora você quer falar de quê?
maio 22, 2004
Arrumação
A atenção que este blogue merece demora a chegar. Não, ainda não chegou. Eis apenas uma tentativa. Declaro inauguradas duas novas seções: a primeira, "Falando em Prosear...", foi criada há algumas semanas. No índice, vocês encontrarão alguns sites que falam de literatura cientificamente. Tenho uma nova listagem a inserir, mas está no computador do escritório. Prometo que disponibilizo em breve. A outra seção, "Prosas Musicais", traz sites oficiais de uma galerinha nova que vem surgindo por aí, promessa de sucesso. Destaque para o Vega que vocês já conhecem e para a Danyela Gato, que eu já acompanho há um tempinho, especialmente em suas apresentações no Pão com Manteiga, um simpático bar da região da Paulista. Com o passar do tempo, pretendo disponibilizar outros sites de pessoas que admiro, sim, pois assim como a literatura, a música também é uma grande paixão. Para finalizar, criei vergonha na cara e inseri mais alguns blogues amigos e outros que ainda não são. Espero que gostem e apreciem!
A atenção que este blogue merece demora a chegar. Não, ainda não chegou. Eis apenas uma tentativa. Declaro inauguradas duas novas seções: a primeira, "Falando em Prosear...", foi criada há algumas semanas. No índice, vocês encontrarão alguns sites que falam de literatura cientificamente. Tenho uma nova listagem a inserir, mas está no computador do escritório. Prometo que disponibilizo em breve. A outra seção, "Prosas Musicais", traz sites oficiais de uma galerinha nova que vem surgindo por aí, promessa de sucesso. Destaque para o Vega que vocês já conhecem e para a Danyela Gato, que eu já acompanho há um tempinho, especialmente em suas apresentações no Pão com Manteiga, um simpático bar da região da Paulista. Com o passar do tempo, pretendo disponibilizar outros sites de pessoas que admiro, sim, pois assim como a literatura, a música também é uma grande paixão. Para finalizar, criei vergonha na cara e inseri mais alguns blogues amigos e outros que ainda não são. Espero que gostem e apreciem!
maio 19, 2004
Eu vi, eu fui
A rá, eu estava lá!
E presenciei muitas coisas engraçadas. Vi a Camila se declarando para o Bruno de Luca, dizendo que ele era o ídolo dela desde a época da Malhação e quase morri de rir. Como se não bastasse isso, vi ainda a pentelha da Camila pentelhando os pentelhos do Pânico na TV, que não se continham em suas pentelhices. Vi também meu diretor abordando, e deixo bem claro que no bom sentido, a Maryeva, quando ela passou pela gente a caminho do camarim. Sim, vi as figuras mais esdrúxulas do meio artístico transitando pela Via Funchal. Lembram-se do Fly, dançarino da Xuxa, integrante do You Can Dance? É, ele não fez nenhuma performance, mas marcou presença. Fora algumas modelos loiras e peitudas que, nem mesmo se minha memória funcionasse corretamente, eu lembraria os nomes.
Sim, eu compareci à cerimônia de premiação iBest 2004 e ainda estou sob efeito do excesso de prosseco ingerido, o qual levou os mais sãos dos meus sentidos. Por isso, não liguem caso esse texto também comece a não fazer sentido algum.
A empresa em que trabalho concorreu à categoria fidelização pela academia e pelo júri popular. Não, não ganhamos. E nem vou adentrar no universo do "tudo muito estranho", para não nos estressarmos, ok? Sim, muito estranho como o maior site de fidelização da América Latina não leva, e a patrocinadora do evento abraça todos os prêmios que concorreram, inclusive o de fidelização. E nas duas categorias! Oh, não vou me adentrar.
Um ponto interessante que, particularmente, considerei um dos mais altos foi a premiação na categoria blogues. Peraí, não é empolgação demais. Afinal, estamos falando de um dos maiores prêmios de internet no Brasil. Vá lá que pode ter as suas particularidades, mas merece o nosso apreço. O blogue "Garotas que dizem Ni", que está aí ao lado, era um dos concorrentes e o meu favorito desde a época do Top 10. Foi o máximo ver suas criadoras, Clara McFly, Vivi Griswold e Fla Wonka, ao vivo e a cores. Pena que também não levaram, mas o reconhecimento que receberam com a indicação e tudo o mais foi válido, com certeza. Além disso, o fato de colaborarem para firmar ainda mais a categoria blogueira é um prêmio para todos nós, que prezamos por coisa de qualidade nessa internet de meu Deus. Parece papo de feminista, petista, ista, ista. Mas que mereciam a vitória, isso mereciam!
Mas tudo bem, ano que vem tem mais. Quem sabe o nosso humilde Proseando não marque presença? E quem sabe ainda, esta que vos fala saia de lá num estado, digamos, menos acoolizado? Tudo é possível.
A rá, eu estava lá!
E presenciei muitas coisas engraçadas. Vi a Camila se declarando para o Bruno de Luca, dizendo que ele era o ídolo dela desde a época da Malhação e quase morri de rir. Como se não bastasse isso, vi ainda a pentelha da Camila pentelhando os pentelhos do Pânico na TV, que não se continham em suas pentelhices. Vi também meu diretor abordando, e deixo bem claro que no bom sentido, a Maryeva, quando ela passou pela gente a caminho do camarim. Sim, vi as figuras mais esdrúxulas do meio artístico transitando pela Via Funchal. Lembram-se do Fly, dançarino da Xuxa, integrante do You Can Dance? É, ele não fez nenhuma performance, mas marcou presença. Fora algumas modelos loiras e peitudas que, nem mesmo se minha memória funcionasse corretamente, eu lembraria os nomes.
Sim, eu compareci à cerimônia de premiação iBest 2004 e ainda estou sob efeito do excesso de prosseco ingerido, o qual levou os mais sãos dos meus sentidos. Por isso, não liguem caso esse texto também comece a não fazer sentido algum.
A empresa em que trabalho concorreu à categoria fidelização pela academia e pelo júri popular. Não, não ganhamos. E nem vou adentrar no universo do "tudo muito estranho", para não nos estressarmos, ok? Sim, muito estranho como o maior site de fidelização da América Latina não leva, e a patrocinadora do evento abraça todos os prêmios que concorreram, inclusive o de fidelização. E nas duas categorias! Oh, não vou me adentrar.
Um ponto interessante que, particularmente, considerei um dos mais altos foi a premiação na categoria blogues. Peraí, não é empolgação demais. Afinal, estamos falando de um dos maiores prêmios de internet no Brasil. Vá lá que pode ter as suas particularidades, mas merece o nosso apreço. O blogue "Garotas que dizem Ni", que está aí ao lado, era um dos concorrentes e o meu favorito desde a época do Top 10. Foi o máximo ver suas criadoras, Clara McFly, Vivi Griswold e Fla Wonka, ao vivo e a cores. Pena que também não levaram, mas o reconhecimento que receberam com a indicação e tudo o mais foi válido, com certeza. Além disso, o fato de colaborarem para firmar ainda mais a categoria blogueira é um prêmio para todos nós, que prezamos por coisa de qualidade nessa internet de meu Deus. Parece papo de feminista, petista, ista, ista. Mas que mereciam a vitória, isso mereciam!
Mas tudo bem, ano que vem tem mais. Quem sabe o nosso humilde Proseando não marque presença? E quem sabe ainda, esta que vos fala saia de lá num estado, digamos, menos acoolizado? Tudo é possível.
maio 17, 2004
Notas
O frio resolveu aparecer aqui na Metrópole Desvairada. Não que isso seja um grande problema para os paulistanos. Muito menos para aqueles que passam 80% do dia dentro de um escritório, geralmente na parte mais alta de algum edifício, onde a vista para o lado externo dá a impressão de que é sempre noite e, claro, o ar condicionado na temperatura dos 18 graus suportáveis.
Não é nada incomum você sair na rua em plena manhã de verão e flagrar pessoas com blusas de frio entre seus pertences e, lógico, um guarda-chuva. Porque assim como o trânsito, nessa cidade o tempo também é imprevisível. Mas desta vez a culpa não é da imprevisão. E nem mesmo estamos no verão. Ouvi dizer que é reflexo do tal ciclone que apareceu lá pelas bandas do sul do país. Para pessoas como eu, que curtem um friozinho na espinha, é maravilhoso. Mas, para aquelas que fazem jus às belas praias do Brasilzão e, claro, do astro-rei brilhando lindão lá em cima, vou te contar. Deve ser um martírio. Mas o bom de tudo mesmo é que vivemos num país tropical e que o clima agrada igualmente a todos, não é verdade?
------------------------------------------------------------------
Três comadres resolvem sair de casa na tarde de um domingo qualquer com destino ao teatro. Em decorrência da super lotação não prevista, os planos passam por uma pequena adaptação e o destino as levam a uma mega exposição fotográfica. De repente, as três, que não entendem nadinha de fotografia (uma delas tem dificuldade até de se auto-reconhecer num retrato), se vêem nas principais ruas de Sampa em pleno século XIX. Sob a vertente iconográfica introduzida pela ótica de grandes fotógrafos, elas realizam um passeio por São Paulo desde a época em que era um tímido vilarejo, captando cada aspecto que fez da Terra da Garoa uma grande metrópole. Cada fator determinante para o crescimento populacional de São Paulo e sua evolução do ponto de vista moderno e social deixou as garotas de queixo caído. De queixo mais caído ficaram, quando saíram daquele universo do tempo dos seus avôs, provavelmente, e se depararam com a Avenida Paulista linda e acolhedora como sempre. Mas vazia, não se esqueçam disso. Era um domingo. Como acabou? Num bar ali perto, num longo bate-papo de comadres, regado a chopp e chocolate quente porque, afinal, os corações ali eram paulistanos. Se você ficou com vontade, as três recomendam: São Paulo, 450 anos - A imagem e a memória da cidade no acervo do Instituto Moreira Sales. (Galeria de Arte do Sesi - Av. Paulista, 1.313 - São Paulo - SP).
------------------------------------------------------------------
Se você acha que isso aqui está parado demais para o seu gosto, a alma do outro lado do seu monitor, a milhões e milhões de giga bytes luz, adverte: tenha paciência e muita fé, pois uma hora ela conseguirá ter o mínimo de organização possível e pelo menos dar a impressão de que as coisas estão caminhando no ritmo recomendável. Vejam bem: ela disse "recomendável".
O frio resolveu aparecer aqui na Metrópole Desvairada. Não que isso seja um grande problema para os paulistanos. Muito menos para aqueles que passam 80% do dia dentro de um escritório, geralmente na parte mais alta de algum edifício, onde a vista para o lado externo dá a impressão de que é sempre noite e, claro, o ar condicionado na temperatura dos 18 graus suportáveis.
Não é nada incomum você sair na rua em plena manhã de verão e flagrar pessoas com blusas de frio entre seus pertences e, lógico, um guarda-chuva. Porque assim como o trânsito, nessa cidade o tempo também é imprevisível. Mas desta vez a culpa não é da imprevisão. E nem mesmo estamos no verão. Ouvi dizer que é reflexo do tal ciclone que apareceu lá pelas bandas do sul do país. Para pessoas como eu, que curtem um friozinho na espinha, é maravilhoso. Mas, para aquelas que fazem jus às belas praias do Brasilzão e, claro, do astro-rei brilhando lindão lá em cima, vou te contar. Deve ser um martírio. Mas o bom de tudo mesmo é que vivemos num país tropical e que o clima agrada igualmente a todos, não é verdade?
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Três comadres resolvem sair de casa na tarde de um domingo qualquer com destino ao teatro. Em decorrência da super lotação não prevista, os planos passam por uma pequena adaptação e o destino as levam a uma mega exposição fotográfica. De repente, as três, que não entendem nadinha de fotografia (uma delas tem dificuldade até de se auto-reconhecer num retrato), se vêem nas principais ruas de Sampa em pleno século XIX. Sob a vertente iconográfica introduzida pela ótica de grandes fotógrafos, elas realizam um passeio por São Paulo desde a época em que era um tímido vilarejo, captando cada aspecto que fez da Terra da Garoa uma grande metrópole. Cada fator determinante para o crescimento populacional de São Paulo e sua evolução do ponto de vista moderno e social deixou as garotas de queixo caído. De queixo mais caído ficaram, quando saíram daquele universo do tempo dos seus avôs, provavelmente, e se depararam com a Avenida Paulista linda e acolhedora como sempre. Mas vazia, não se esqueçam disso. Era um domingo. Como acabou? Num bar ali perto, num longo bate-papo de comadres, regado a chopp e chocolate quente porque, afinal, os corações ali eram paulistanos. Se você ficou com vontade, as três recomendam: São Paulo, 450 anos - A imagem e a memória da cidade no acervo do Instituto Moreira Sales. (Galeria de Arte do Sesi - Av. Paulista, 1.313 - São Paulo - SP).
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Se você acha que isso aqui está parado demais para o seu gosto, a alma do outro lado do seu monitor, a milhões e milhões de giga bytes luz, adverte: tenha paciência e muita fé, pois uma hora ela conseguirá ter o mínimo de organização possível e pelo menos dar a impressão de que as coisas estão caminhando no ritmo recomendável. Vejam bem: ela disse "recomendável".
maio 09, 2004
Mãe
Nesta data especial, aqui, representando todas as mães do mundo, e em especial a minha: Dona Isa.
A elas:
Amigas. Colegas. Às vezes, desconhecidas. Outras, irmã mais velha...
Mães em todas as ocasiões.
Seres especiais. Pedacinhos do coração de Deus. Presentes do Pai.
Sinônimo de esperança.
Força em pessoa.
Resposta para todas as perguntas.
Em cada lágrima. Em cada olhar. Em cada sorriso.
Amor. Fraternidade. Compreensão.
Nem que eu buscasse todos os adjetivos do mundo,
Nem que eu dominasse de todas a línguas: latinas, ocidentais, orientais,
Nem que eu tivesse a sensibilidade de Maria, mãe de todas as mães e de todos os filhos,
Nem mesmo assim, conseguiria traduzir em palavras o significado de
Mãe, palavra intraduzível.
Que as nossas mães tenham um lindo Feliz Dia das Mães!
Nesta data especial, aqui, representando todas as mães do mundo, e em especial a minha: Dona Isa.
A elas:
Amigas. Colegas. Às vezes, desconhecidas. Outras, irmã mais velha...
Mães em todas as ocasiões.
Seres especiais. Pedacinhos do coração de Deus. Presentes do Pai.
Sinônimo de esperança.
Força em pessoa.
Resposta para todas as perguntas.
Em cada lágrima. Em cada olhar. Em cada sorriso.
Amor. Fraternidade. Compreensão.
Nem que eu buscasse todos os adjetivos do mundo,
Nem que eu dominasse de todas a línguas: latinas, ocidentais, orientais,
Nem que eu tivesse a sensibilidade de Maria, mãe de todas as mães e de todos os filhos,
Nem mesmo assim, conseguiria traduzir em palavras o significado de
Mãe, palavra intraduzível.
Que as nossas mães tenham um lindo Feliz Dia das Mães!
maio 07, 2004
Meu lado esquerdo
Meu lado esquerdo do cérebro não funciona muito bem. É essa a justificativa que ofereço às pessoas quando fica explícito o quão avoada que sou. Não é uma justificativa inventada, pode acreditar. Também não sei se é plausível dizer que é aceitável, uma vez que eu não entendo nada de questões cerebrais ou coisa parecida, exceto a parte que justifica a insanidade humana, para a qual eu também contribuo e de forma bastante ativa. Se você, meu caro amigo, está achando isso um tanto esquisito, não ache. Lembre-se daquela velha e sábia frase do Caetano Veloso: "de perto, ninguém é normal" e a normalidade passou longe do meu planeta, tenha a certeza.
Quanto ao lado esquerdo, atribuo a justificativa a uma queda que tive aos três anos de idade, o que me coube uma fratura no lado direito da cabeça. Como existe a teoria de que o lado direito do cérebro comanda o esquerdo e vice-versa, adaptei essa lógica à minha problemática. Vai dizer que não faz sentido?! Se restaram seqüelas? Hmm... você tem alguma dúvida?
Pois bem, eu não tenho nenhuma. Para captar esse meu grau de loucura foi muito simples. Bastou mais uma vez acabar as pilhas do meu walkman para que eu me colocasse a refletir sobre a vida. Como? Simples e, se quiser, você também pode tentar. Pegue um dia da sua vida, apenas um dia, e trace sua trajetória. Tente, vá fundo. O meu dia escolhido rendeu ótimos resultados e muitas, mas muitas trapalhadas. Mas o pior de tudo foi descobrir que minha memória definitivamente não está compatível com meus quase 22 anos de idade. Não, não está mesmo.
Imagine você acordar as cinco da matina, tomar aquela ducha demorada para refrescar o tico e o teco e começar o seu dia com, não um, mas vários esquecimentos. Primeiro, depois do café da mama, peguei meus pertences e, quando cheguei ao portão, com um singelo toque na face percebi que estava sem meus óculos. De início, você até tenta se imaginar no escritório, na frente do computador sem eles e... não, não dá. Então, você sobe as escadas, caminha xingando a si próprio como uma autopunição, chega até a sua escrivaninha pensando no que raios você foi fazer ali mesmo. Ah, sim, os óculos. Apanha sua visão para o mundo exterior e ouve de novo todas aquelas recomendações de mãe. É engraçado porque todo dia é a mesma coisa, sem mudar uma vírgula: “vai com Deus, minha filha, tenha um bom dia, cuidado na rua com esses malucos, não chegue tarde...”.
Quando finalmente você chega ao portão novamente, não consegue passar para o lado de fora porque esqueceu as chaves. Oh, as chaves. Não adianta, desta vez, larga os pertences em cima de qualquer coisa e repete o percurso outra vez. Só não repete os mesmos palavrões pela milésima vez porque quando chega na porta se depara com sua mãe com as danadinhas na mão. Só resta rir da própria desgraça mesmo. Se você acha que este curto período matinal acaba por aí, está redondamente enganado. Depois de sair na rua e chegar ao ponto para pegar o coletivo, você percebe que alguma coisa está estranha. Não, não foi o passe que esqueceu em cima da escrivaninha. Parece ser algo mais importante. Mas, tudo bem, você apanha outro passe na bolsa e finalmente senta-se no banco altão que está lá todos os dias à sua espera.
O astro-rei brilhando e você, compenetrada, testando várias pilhas usadas jogadas na bolsa, tentando adivinhar se conseguirá concluir a viagem mantendo-se a par do noticiário do dia e, claro, daquela bela trilha sonora ou não. Mal sabe. A avenida Interlagos com aquele trânsito que faz qualquer um desejar ter o dom de poder se teletransportar. O coletivo tão lotado que faz você sentir remorso por estar sentado enquanto tantas pessoas estão em pé e as horas, vejam só, as horas voando. Isso sem contar que você ainda tem que enfrentar a avenida Berrini e o mau humor do motorista que nem iniciou o dia e já está estressado com o trânsito da cidade. Você olha para o relógio que, por algum milagre está no seu braço, e percebe então o que de tão importante havia esquecido. Sim, ele mesmo, o celular. Um dia sem celular. E você nem sequer pode dar uma ligadinha básica no escritório para avisar que não chegará trinta ou quarenta minutos atrasada como é de costume, mas sim uma hora. É, uma hora inteirinha, com todos os 60 minutos que lhe cabe. E, quando finalmente chega, percebe que o mocinho que chamou para a entrevista está à sua espera desde as oito horas e lembra-se, que maravilha, que de lá há exatamente 30 minutos tem que estar na avenida São João para um treinamento, cuja apresentação você esqueceu-se de pedir para gravarem em CD. Resta então você liberar um belo sorriso para descontrair e se conformar já que, bom, pontualidade nunca foi o seu forte mesmo.
Se você gostaria que as trapalhadas do dia terminassem por aí, na parte da manhã, fico feliz pela parte que me toca, mas não. Elas continuam durante o dia todo e, partindo dessa minha reflexão, não encontro outro diagnóstico senão, admitir que meu caso de fato é crítico. Então, finalmente começo a entender o porquê daquela franjinha de post it’s amarelos ao redor do meu monitor, sem contar os post it’s virtuais multicoloridos e adaptados com vários alerts na minha área de trabalho. Ah, agora eu também compreendo porque a minha mãe me acompanhou até o quarto outro dia, quando estava me preparando para dormir, só para avisar que eu estava usando óculos, morrendo de medo de que eu fosse dormir com eles e furar a vista com os parafusinhos. E ainda quando eu saio de manhã e, quase sempre, ela me acompanha fazendo um questionário: “está levando guarda-chuva?”, “o cheque do seu irmão?”, “não está esquecendo de nada?”.
Agora, pode falar: você acha que, depois de tudo isso, existe alguma chance do meu lado esquerdo exercer algum auxílio para o direito? Hum, hum, meu amigo. Negativo! O meu lado esquerdo realmente não funciona.
Meu lado esquerdo do cérebro não funciona muito bem. É essa a justificativa que ofereço às pessoas quando fica explícito o quão avoada que sou. Não é uma justificativa inventada, pode acreditar. Também não sei se é plausível dizer que é aceitável, uma vez que eu não entendo nada de questões cerebrais ou coisa parecida, exceto a parte que justifica a insanidade humana, para a qual eu também contribuo e de forma bastante ativa. Se você, meu caro amigo, está achando isso um tanto esquisito, não ache. Lembre-se daquela velha e sábia frase do Caetano Veloso: "de perto, ninguém é normal" e a normalidade passou longe do meu planeta, tenha a certeza.
Quanto ao lado esquerdo, atribuo a justificativa a uma queda que tive aos três anos de idade, o que me coube uma fratura no lado direito da cabeça. Como existe a teoria de que o lado direito do cérebro comanda o esquerdo e vice-versa, adaptei essa lógica à minha problemática. Vai dizer que não faz sentido?! Se restaram seqüelas? Hmm... você tem alguma dúvida?
Pois bem, eu não tenho nenhuma. Para captar esse meu grau de loucura foi muito simples. Bastou mais uma vez acabar as pilhas do meu walkman para que eu me colocasse a refletir sobre a vida. Como? Simples e, se quiser, você também pode tentar. Pegue um dia da sua vida, apenas um dia, e trace sua trajetória. Tente, vá fundo. O meu dia escolhido rendeu ótimos resultados e muitas, mas muitas trapalhadas. Mas o pior de tudo foi descobrir que minha memória definitivamente não está compatível com meus quase 22 anos de idade. Não, não está mesmo.
Imagine você acordar as cinco da matina, tomar aquela ducha demorada para refrescar o tico e o teco e começar o seu dia com, não um, mas vários esquecimentos. Primeiro, depois do café da mama, peguei meus pertences e, quando cheguei ao portão, com um singelo toque na face percebi que estava sem meus óculos. De início, você até tenta se imaginar no escritório, na frente do computador sem eles e... não, não dá. Então, você sobe as escadas, caminha xingando a si próprio como uma autopunição, chega até a sua escrivaninha pensando no que raios você foi fazer ali mesmo. Ah, sim, os óculos. Apanha sua visão para o mundo exterior e ouve de novo todas aquelas recomendações de mãe. É engraçado porque todo dia é a mesma coisa, sem mudar uma vírgula: “vai com Deus, minha filha, tenha um bom dia, cuidado na rua com esses malucos, não chegue tarde...”.
Quando finalmente você chega ao portão novamente, não consegue passar para o lado de fora porque esqueceu as chaves. Oh, as chaves. Não adianta, desta vez, larga os pertences em cima de qualquer coisa e repete o percurso outra vez. Só não repete os mesmos palavrões pela milésima vez porque quando chega na porta se depara com sua mãe com as danadinhas na mão. Só resta rir da própria desgraça mesmo. Se você acha que este curto período matinal acaba por aí, está redondamente enganado. Depois de sair na rua e chegar ao ponto para pegar o coletivo, você percebe que alguma coisa está estranha. Não, não foi o passe que esqueceu em cima da escrivaninha. Parece ser algo mais importante. Mas, tudo bem, você apanha outro passe na bolsa e finalmente senta-se no banco altão que está lá todos os dias à sua espera.
O astro-rei brilhando e você, compenetrada, testando várias pilhas usadas jogadas na bolsa, tentando adivinhar se conseguirá concluir a viagem mantendo-se a par do noticiário do dia e, claro, daquela bela trilha sonora ou não. Mal sabe. A avenida Interlagos com aquele trânsito que faz qualquer um desejar ter o dom de poder se teletransportar. O coletivo tão lotado que faz você sentir remorso por estar sentado enquanto tantas pessoas estão em pé e as horas, vejam só, as horas voando. Isso sem contar que você ainda tem que enfrentar a avenida Berrini e o mau humor do motorista que nem iniciou o dia e já está estressado com o trânsito da cidade. Você olha para o relógio que, por algum milagre está no seu braço, e percebe então o que de tão importante havia esquecido. Sim, ele mesmo, o celular. Um dia sem celular. E você nem sequer pode dar uma ligadinha básica no escritório para avisar que não chegará trinta ou quarenta minutos atrasada como é de costume, mas sim uma hora. É, uma hora inteirinha, com todos os 60 minutos que lhe cabe. E, quando finalmente chega, percebe que o mocinho que chamou para a entrevista está à sua espera desde as oito horas e lembra-se, que maravilha, que de lá há exatamente 30 minutos tem que estar na avenida São João para um treinamento, cuja apresentação você esqueceu-se de pedir para gravarem em CD. Resta então você liberar um belo sorriso para descontrair e se conformar já que, bom, pontualidade nunca foi o seu forte mesmo.
Se você gostaria que as trapalhadas do dia terminassem por aí, na parte da manhã, fico feliz pela parte que me toca, mas não. Elas continuam durante o dia todo e, partindo dessa minha reflexão, não encontro outro diagnóstico senão, admitir que meu caso de fato é crítico. Então, finalmente começo a entender o porquê daquela franjinha de post it’s amarelos ao redor do meu monitor, sem contar os post it’s virtuais multicoloridos e adaptados com vários alerts na minha área de trabalho. Ah, agora eu também compreendo porque a minha mãe me acompanhou até o quarto outro dia, quando estava me preparando para dormir, só para avisar que eu estava usando óculos, morrendo de medo de que eu fosse dormir com eles e furar a vista com os parafusinhos. E ainda quando eu saio de manhã e, quase sempre, ela me acompanha fazendo um questionário: “está levando guarda-chuva?”, “o cheque do seu irmão?”, “não está esquecendo de nada?”.
Agora, pode falar: você acha que, depois de tudo isso, existe alguma chance do meu lado esquerdo exercer algum auxílio para o direito? Hum, hum, meu amigo. Negativo! O meu lado esquerdo realmente não funciona.
maio 05, 2004
O Jardim da Alienação
Enclausurada. Não apenas naquele lugar, mas dentro de si. Era assim que se sentia. Bem. Todo mundo dizia que aquilo tudo era para o seu próprio bem, a ponto de ela já não saber o que era bom e o que era ruim. O positivo e o negativo já não eram reconhecidos. Aprisionada num mundo desconhecido e tudo porque simplesmente quisera assim. Porque um dia acordou e nada mais fazia sentido. À sua volta, todos com o mesmo olhar. Sem aprovação, mas também sem repreensão. Cada ato, cada procedimento, cada gesto e cada contato era parte de um tratamento imposto. Pré-estabelecido. Necessário.
Longe de si, longe dos outros, de tudo, de todos. Não dominava suas vontades, não mais identificava os seus sentidos. Era escrava de algo desconhecido. Um instinto. Uma dominação que nascia sabe-se lá de onde, sem motivo, sem razão. Uma força que se apoderava assustadoramente partindo das entranhas da sua alma. Sim, uma necessidade sem razão de ser, apenas monstruosa. A condição que, cada vez mais, a afastava de si mesma. O vício. Ela era escrava do vício.
Ali, sentada, ela não enxergava e não ouvia. A única consciência era do que que estava por vir, mas mesmo assim não entendia. Aquilo tudo era forte demais para a sua essência. Não, ela não poderia fugir, mas não hesitava ao tentar. Levantou-se devagar, lançando um olhar insano para todos os lados. Que pena, não tinha noção do belo jardim que estava à sua frente - o jardim das mais belas flores do mundo. De repente, viu-se correndo e não percebia que esmagava as flores, uma a uma. Tentava uma fuga desesperada. O corpo formigava por inteiro, as mãos sobre cabeça, como se aquela dor fosse arrancada junto com cada fio de cabelo vermelho. O olhar, imcompreensível. Os olhos, sim, cobertos de lágrimas de desespero e gritos incontrolados que despertavam a atenção de qualquer um. O pavor no seu rosto parecia contagioso. Corria desnorteada, destruindo casa pétala de flor. Estava ensandecida. Nenhuma explicação plausível. Por um segundo pareceu entender o que acontecia. Mas não. Nada tinha explicação.
Uns cinco seres vestidos de branco em cima dela. A razão controlando a loucura. Na linguagem deles, ela estava sendo imobilizada. Na linguagem dos que pensam entender, estava claro que o líquido injetado nas suas veias era apenas mais uma dose de insanidade. Hipócritas os que pensam ser calmante. O seu corpo recebia agora um aditivo para impulsionar a sua perda de memória recente. Um auxílio para fugir dos problemas. Para continuar não entendendo nada. Para, no dia que encontrar alguma certeza na vida, certificar-se do nada. Perdia os sentidos, de fato, lentamente. Não precisaria sair dali algum dia para encontrar o nada. O nada fora mais rápido.
Quando finalmente abriu os olhos, percebeu-se sozinha no quarto. Serena. Tranqüila. Quem ousasse dizer que acabara de despertar de um pesadelo seria taxado como o maior infame do mundo. O nada ainda estava em sua mente. Levantou-se calma e caminhou cuidadosamente até a janela. Impulsionou a pequena fresta e deparou-se com um majestoso jardim. Lírios brancos em meio a rosas azuis. Cantos variados de pássaros invadiam os seus tímpanos e uma espécie rara de borboleta pousou ali perto. Não, ainda não era a liberdade.
Enclausurada. Não apenas naquele lugar, mas dentro de si. Era assim que se sentia. Bem. Todo mundo dizia que aquilo tudo era para o seu próprio bem, a ponto de ela já não saber o que era bom e o que era ruim. O positivo e o negativo já não eram reconhecidos. Aprisionada num mundo desconhecido e tudo porque simplesmente quisera assim. Porque um dia acordou e nada mais fazia sentido. À sua volta, todos com o mesmo olhar. Sem aprovação, mas também sem repreensão. Cada ato, cada procedimento, cada gesto e cada contato era parte de um tratamento imposto. Pré-estabelecido. Necessário.
Longe de si, longe dos outros, de tudo, de todos. Não dominava suas vontades, não mais identificava os seus sentidos. Era escrava de algo desconhecido. Um instinto. Uma dominação que nascia sabe-se lá de onde, sem motivo, sem razão. Uma força que se apoderava assustadoramente partindo das entranhas da sua alma. Sim, uma necessidade sem razão de ser, apenas monstruosa. A condição que, cada vez mais, a afastava de si mesma. O vício. Ela era escrava do vício.
Ali, sentada, ela não enxergava e não ouvia. A única consciência era do que que estava por vir, mas mesmo assim não entendia. Aquilo tudo era forte demais para a sua essência. Não, ela não poderia fugir, mas não hesitava ao tentar. Levantou-se devagar, lançando um olhar insano para todos os lados. Que pena, não tinha noção do belo jardim que estava à sua frente - o jardim das mais belas flores do mundo. De repente, viu-se correndo e não percebia que esmagava as flores, uma a uma. Tentava uma fuga desesperada. O corpo formigava por inteiro, as mãos sobre cabeça, como se aquela dor fosse arrancada junto com cada fio de cabelo vermelho. O olhar, imcompreensível. Os olhos, sim, cobertos de lágrimas de desespero e gritos incontrolados que despertavam a atenção de qualquer um. O pavor no seu rosto parecia contagioso. Corria desnorteada, destruindo casa pétala de flor. Estava ensandecida. Nenhuma explicação plausível. Por um segundo pareceu entender o que acontecia. Mas não. Nada tinha explicação.
Uns cinco seres vestidos de branco em cima dela. A razão controlando a loucura. Na linguagem deles, ela estava sendo imobilizada. Na linguagem dos que pensam entender, estava claro que o líquido injetado nas suas veias era apenas mais uma dose de insanidade. Hipócritas os que pensam ser calmante. O seu corpo recebia agora um aditivo para impulsionar a sua perda de memória recente. Um auxílio para fugir dos problemas. Para continuar não entendendo nada. Para, no dia que encontrar alguma certeza na vida, certificar-se do nada. Perdia os sentidos, de fato, lentamente. Não precisaria sair dali algum dia para encontrar o nada. O nada fora mais rápido.
Quando finalmente abriu os olhos, percebeu-se sozinha no quarto. Serena. Tranqüila. Quem ousasse dizer que acabara de despertar de um pesadelo seria taxado como o maior infame do mundo. O nada ainda estava em sua mente. Levantou-se calma e caminhou cuidadosamente até a janela. Impulsionou a pequena fresta e deparou-se com um majestoso jardim. Lírios brancos em meio a rosas azuis. Cantos variados de pássaros invadiam os seus tímpanos e uma espécie rara de borboleta pousou ali perto. Não, ainda não era a liberdade.
maio 04, 2004
Fútil
Então pra você a homossexualidade é uma questão de contracultura? Sei. Assim como a Aids deve lhe parecer uma tendência comportamental. Ou uma escolha, como preferir. Algo como quando você acorda de manhã e diz "hoje quero ser gay" ou "hoje quero ser aidético". Isso sem a necessidade de afirmar o que realmente você de fato é ao expressar determinados pensamentos. Nem vem, porque determinados pensamentos não são absolvidos pela liberdade de expressão. Se você não entendeu, aqui eu faço as regras. E, só para deixar ainda mais claro, meu senso de defesa não é necessariamente a minha essência.
Então pra você a homossexualidade é uma questão de contracultura? Sei. Assim como a Aids deve lhe parecer uma tendência comportamental. Ou uma escolha, como preferir. Algo como quando você acorda de manhã e diz "hoje quero ser gay" ou "hoje quero ser aidético". Isso sem a necessidade de afirmar o que realmente você de fato é ao expressar determinados pensamentos. Nem vem, porque determinados pensamentos não são absolvidos pela liberdade de expressão. Se você não entendeu, aqui eu faço as regras. E, só para deixar ainda mais claro, meu senso de defesa não é necessariamente a minha essência.
abril 30, 2004
Os Criadores e a Criatura
Loucos. Descabelados. Solitários. Você reconhece essas características? Hmm... deixe-me ajudá-lo. Você tem ido ao cinema ultimamente? Se sim, deve ter percebido explicitamente a forma como os cieastas vêem os escritores. Sim, até mesmo aqueles que são sucesso de mídia. Todos têm traços de loucura - quando não no porte físico, são facilmente identificados nos aspectos psicológicos das personagens. Todos, em determinado momento, se descabelam por alguma coisa, isso quando não são descabelados visualmente falando mesmo. Chega a dar medo. E todos são solitários, é impressionante. Parece até que é uma taxação prioritária. Quando não são vítimas do divórcio, são figuras focadas no trabalho e não disponíveis para qualquer aventura amorosa (quadro que muda só no final do filme, lógico), ou, são homossexuais do tipo frustrados e desgraçados pela vida.
Além do mais, parece que é moda abordar personagens escritoras nos filmes ultimamente. Não que eu ache ruim, muito pelo contrário, me divirto e muito, mas que isso chama a atenção, ah... chama. E desperta atenção também, além das três características básicas que citei há pouco, os vários perfis de escritores que nos apresentam. Até pouco tempo atrás, minha visão de escritor era um vovozinho ou uma vovozinha de cabelos bem branquinhos, com aqueles óculos redondinhos e com aquela carinha que dá vontade de apertar de tão fofa. Isso, claro, até eu quebrar a bolha que me protegia das coisas boas da vida e conhecer uma rapaze que deixa de cabelo em pé qualquer tipinho simpático dito literato tradicionalista. Hmm... vocês nunca ouviram falar da Geração 90 de escritores, certo? Não sabem o que é o humor bombástico do Marcelino Freire? A visão mais que naturalista da vida pelos olhos de Clarah Averbuck? A "fama transgressora" de Nelson de Oliveira? A criativa linhagem poética de Fabrício Carpinajar? Sem falar nos muitos e muitos talentos que esse texto não comportaria... Se não conhece, nem preciso fazer convite, certo?
Pois bem, o protótipo de escritor abordado pelos cineastas e aquele que o ensino de litetatura na escola nos oferece é completamente diferente, diante do que realmente é o que escreve a história da nossa geração atualmente. Mais do que loucos, descabelados e solitários, temos gente com sede de juventude, de criar novas frentes de discussões, de admitir que estamos em pleno século XXI e que temos que escrever a realidade nessa nova linguagem, falar de geração para geração. Não falo aqui de transgredir regras gramaticais, de transformar a língua materna numa linguagem chula. Falo língua materna porque essa evolução de que trato não é apenas brasileira. A literatura possui um elo mundial globalizado. E, acreditem, não falo somente de adolescentes de classe média com piercings and tatoos que decidem embrulhar pra presente suas aventuras sexuais e narcóticas e oferecerem à mídia para, então, transformar-se naquilo que todos nós já sabemos.
Certo, não é novidade que cinema e mundo real não são a mesma coisa. O cinema trata os escritores com certo diferencial, mas não está acompanhando nem de longe essa evolução. O tipo louco psicótico que sofre de distúrbio de personalidade múltipla, vivido por Johnny Depp em "A Janela Secreta", é caótico, caricato. De fato, cômico, mas não real. O solitário e mega confuso Alex, vivido por Luke Wilson em "Alex e Emma" é até normalzinho, mas não passa de um tipinho cômico limitado. Sim, às vezes, eles dão umas dentro. Em "Encontrando Forrester", Sean Conery, apesar de esquisito por tratar-se de um ser recluso não só em seu apartamento, mas em seu inconsciente, não está tão distante do que seria um escritor experiente nos dias de hoje. Só para não me estender muito, vale citar Diane Keaton em "Alguém tem que ceder". Sim, o filme arranca ótimas gargalhadas, apresenta as nuances cômicas das personagens, mas a escritora teatral vivida por Diane parece ser bem situada em seu mundo, em sua realidade, principalmente quando adapta sua própria realidade.
E, falando em realidade, a literatura não possui só um aspecto imaginário, como a maioria das pessoas pensam. Principalmente, quando lemos um escritor situado em nosso tempo. Conhecer a literatura e seus criadores nas telonas é ótimo, mas muito mais interessante é conhecê-los por meio das suas próprias obras, através delas. Tente e me conte depois.
Loucos. Descabelados. Solitários. Você reconhece essas características? Hmm... deixe-me ajudá-lo. Você tem ido ao cinema ultimamente? Se sim, deve ter percebido explicitamente a forma como os cieastas vêem os escritores. Sim, até mesmo aqueles que são sucesso de mídia. Todos têm traços de loucura - quando não no porte físico, são facilmente identificados nos aspectos psicológicos das personagens. Todos, em determinado momento, se descabelam por alguma coisa, isso quando não são descabelados visualmente falando mesmo. Chega a dar medo. E todos são solitários, é impressionante. Parece até que é uma taxação prioritária. Quando não são vítimas do divórcio, são figuras focadas no trabalho e não disponíveis para qualquer aventura amorosa (quadro que muda só no final do filme, lógico), ou, são homossexuais do tipo frustrados e desgraçados pela vida.
Além do mais, parece que é moda abordar personagens escritoras nos filmes ultimamente. Não que eu ache ruim, muito pelo contrário, me divirto e muito, mas que isso chama a atenção, ah... chama. E desperta atenção também, além das três características básicas que citei há pouco, os vários perfis de escritores que nos apresentam. Até pouco tempo atrás, minha visão de escritor era um vovozinho ou uma vovozinha de cabelos bem branquinhos, com aqueles óculos redondinhos e com aquela carinha que dá vontade de apertar de tão fofa. Isso, claro, até eu quebrar a bolha que me protegia das coisas boas da vida e conhecer uma rapaze que deixa de cabelo em pé qualquer tipinho simpático dito literato tradicionalista. Hmm... vocês nunca ouviram falar da Geração 90 de escritores, certo? Não sabem o que é o humor bombástico do Marcelino Freire? A visão mais que naturalista da vida pelos olhos de Clarah Averbuck? A "fama transgressora" de Nelson de Oliveira? A criativa linhagem poética de Fabrício Carpinajar? Sem falar nos muitos e muitos talentos que esse texto não comportaria... Se não conhece, nem preciso fazer convite, certo?
Pois bem, o protótipo de escritor abordado pelos cineastas e aquele que o ensino de litetatura na escola nos oferece é completamente diferente, diante do que realmente é o que escreve a história da nossa geração atualmente. Mais do que loucos, descabelados e solitários, temos gente com sede de juventude, de criar novas frentes de discussões, de admitir que estamos em pleno século XXI e que temos que escrever a realidade nessa nova linguagem, falar de geração para geração. Não falo aqui de transgredir regras gramaticais, de transformar a língua materna numa linguagem chula. Falo língua materna porque essa evolução de que trato não é apenas brasileira. A literatura possui um elo mundial globalizado. E, acreditem, não falo somente de adolescentes de classe média com piercings and tatoos que decidem embrulhar pra presente suas aventuras sexuais e narcóticas e oferecerem à mídia para, então, transformar-se naquilo que todos nós já sabemos.
Certo, não é novidade que cinema e mundo real não são a mesma coisa. O cinema trata os escritores com certo diferencial, mas não está acompanhando nem de longe essa evolução. O tipo louco psicótico que sofre de distúrbio de personalidade múltipla, vivido por Johnny Depp em "A Janela Secreta", é caótico, caricato. De fato, cômico, mas não real. O solitário e mega confuso Alex, vivido por Luke Wilson em "Alex e Emma" é até normalzinho, mas não passa de um tipinho cômico limitado. Sim, às vezes, eles dão umas dentro. Em "Encontrando Forrester", Sean Conery, apesar de esquisito por tratar-se de um ser recluso não só em seu apartamento, mas em seu inconsciente, não está tão distante do que seria um escritor experiente nos dias de hoje. Só para não me estender muito, vale citar Diane Keaton em "Alguém tem que ceder". Sim, o filme arranca ótimas gargalhadas, apresenta as nuances cômicas das personagens, mas a escritora teatral vivida por Diane parece ser bem situada em seu mundo, em sua realidade, principalmente quando adapta sua própria realidade.
E, falando em realidade, a literatura não possui só um aspecto imaginário, como a maioria das pessoas pensam. Principalmente, quando lemos um escritor situado em nosso tempo. Conhecer a literatura e seus criadores nas telonas é ótimo, mas muito mais interessante é conhecê-los por meio das suas próprias obras, através delas. Tente e me conte depois.
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