outubro 20, 2004

Beije-me!
Quantos beijos você quer?
Hmm... Todos.
Olha que eles são infinitos.
O que importa, se temos todo o tempo do mundo?

outubro 14, 2004

O Cinema Brasileiro

O cinema é cultura. O cinema é arte. O cinema também é filosofia. As sensações cinematográficas podem ser comparadas às sensações literárias e é justamente por isso que vivo repetindo que, assim como acontece quando lemos um livro, jamais terminamos de ver um filme sem um mero grau de transformação. O cinema transforma.

Hoje, quando pensamos em cinema nacional, já estamos, automaticamente (por questão de cultura ou de maturidade social), nos distanciando do tabu que este assunto nos remete. Sim, o nosso cinema possui novas caras e arranca novas sensações. Não penso que isto ocorra em função da queda do favoritismo norte-americano e nem mesmo por uma epidemia patriótica que se infiltrou nos brasileiros de última hora. A questão é muito mais positiva do que se pensa. O conceito de qualidade está mudando. E mais: não só o conceito de qualidade estética, mas, sobretudo, intelectual.

É óbvio que o nosso humilde cinema não transcende as superproduções dos filhos de Bush. Não cabe aqui tirar-lhes este mérito. Mas as pessoas estão cada vez mais buscando o cinema-cabeça. Aquele que toca, que arrepia, que faz chorar e refletir. É este o ângulo que os nossos cineastas têm buscado e alcançado com êxito, seja no contexto documentário, como foi com Carandiru e recentemente com Olga, ou no contexto filosófico-reflexivo, como está sendo com A Dona da História.

Este último, ainda traz o conceito da arte gerada pela arte, a concepção (em seu verdadeiro sentido), de uma nova tendência: o cinema brotado do teatro, técnica feliz e bem sucedida, experimentada pela segunda vez por Daniel Filho. Não há investimentos de grandes proporções, mas há um refinamento na escolha do elenco e na adaptação do roteiro. O expectador se encontra, se identifica, reflete. E tudo isso acontece sem a necessidade de gastos milionários. O resultado pode ser visto nas estatísticas das bilheterias. As pessoas estão indo mais ao cinema, as crianças, assim como acontecia no passado antes das atuais tecnologias, estão pegando gosto pela sétima arte.

Naturalmente, ocorre o incentivo a talentos desconhecidos ou reprimidos e desperta-se a atenção das autoridades governamentais para esta nova fonte de lucro financeiro e intelectual que se revela o Cinema Brasileiro. Há lazer mais lucrativo do que apreciar a sétima arte?

outubro 13, 2004

Fale aí

Por acaso, o filho quer saber se a mãe está cansada quando deseja seu peito desesperadamente? Não. Assim também é a minha ansiedade por não postar nada aqui desde o dia 27 de setembro. Resolvi então dar um drible no tempo de que (sério), não disponho, e mandar um sinal de vida do meu planeta conturbado. Eu poderia falar do Dia das Crianças, do Programa da Xuxa, da correria que foi com o Vitinho no Shopping e no Paique Piigoso. Poderia falar ainda do Dia da Padroeira do Brasil e da vela que queima lá em casa em sua homenagem. Poderia falar também da minha vida profissional que não está muito diferente da vida pessoal. Aliás, que vida pessoal? Ah, sim! Eu esqueci que as minhas vidas são, na verdade, uma só. Simples, não? Tenho vontade também de falar do filme que vi na sexta com meus amigos, mas este ficará para um outro post. Só uma sugestão: não encare isso como promessa, okay? Se eu ousasse falar da minha não-ida a Curitiba, programada dois meses antes do feriadão, combinadíssima com uns amigos super que me acompanhariam, a graça que já não existe se perderia de vez. Para segurar a graça, só se eu falasse do show que pretendo ir no próximo final de semana. Como corro o risco de não ir, melhor não falar mesmo. Bom, disse que o tempo era curto, certo? Então, posso falar que passei aqui só pra dar um Oi!. Pronto, falei.

setembro 27, 2004

Escrevendo no Escuro

Perguntaram-me se eu gostei do filme. Como assim, se eu gostei do filme? Simplesmente amei o filme. Uma produção tocante, como poquíssimas que vemos por aí. Comentaram, então, que eu tinha o coração de pedra porque não estava chorando. Ah, sim, lembrei-me que determinadas utopias emocionam e, naquele momento, por ser convencional, eu deveria estar chorando. Mas não estava. Talvez, eu realmente devesse já que, de certa forma, era oportuno. Eu tinha motivos, mas não tinha forças. Sequer optei por comentar o filme - não estava muito racional naquele dia.

Agora, passadas algumas horas, entendo que sim, o filme era mesmo utópico. Personagens bem estruturados, enredo convincente e atuações excepcionais. Era um musical. O bem e o mal eram abordados de forma ambígua e a mocinha não foi polpada como normalmente acontece. A mocinha, uma "pessoa humana", com o perdão do pleonasmo tão bem apropriado nesta ocasião, era o verdadeiro exemplo de bondade. Sua alma era pura. Suas atitudes eram impecáveis, virgens do mal. Era o protótipo mais apropriado que já vi de mãe - o modelo ideal de ser humano. Selma era o tipo de pessoa que, se você se deparasse com ela na rua ou no supermercado, certamente ficaria envergonhado. É o tipo de amiga que não executa um mínimo esforço para ensinar grandes lições. A sua essência se permite isso facilmente. Tenho certeza de que Selma seria o tipo de filha exemplar, assim como gostaria que seu filho fosse. Até mesmo suas mentiras eram perdoáveis, mediante a causa que a fazia mentir. Sua ingenuidade não causava graça, mas sim admiração. Não comovia, emocionava.

Este é o tipo de filme que lhe deixa com vergonha das suas atitudes. Impossível não remeter-se à mesquinhez humana. Inevitável não revoltar-se contra a sociedade travestida de Deus. Uma gota de angústia adentra em você com tamanha intensidade que, quando percebe, já está alojada lá no fundo do seu coração. A vontade é de chorar sim. De sair correndo e entrar no primeiro templo que aparecer. De se redimir, de lamentar, de refletir, de questionar. E o pior: sem encontrar respostas. Porque a intolerância não admite justificativas plausíveis. E o mundo é isso o que vemos: fracos versus fortes. Caminhamos distante do mundo ideal, em que a felicidade é cultivada coletivamente e de forma recíproca. Ninguém percebe que não se é feliz em conseqüência de tristezas. E que não se consegue o sucesso em conseqüência do fracasso alheio.

O filme é Dancer in the Dark, de Lars Von Trier. Estas palavras estão sendo escritas no escuro, para que continuem sendo verdadeiras. Porque, às vezes, lê-se melhor no escuro, com mais nitidez. As idéias ficam mais claras.

setembro 22, 2004

Flores

(Fred Martins/Marcelo Diniz)
Flores para quando tu chegares
Flores para quando tu chorares
Uma dinâmica botânica de cores
Para tu dispores pela casa
Pelos cômodos, na cômoda do quarto
Uma banheira repleta de flores
Pela estrada, pela rua, na calçada flores num jardim
Pétalas ao vento para tu contares
Flores para compores
Metáforas antes de comê-las
Pelos cômodos, na cômoda do quarto
Uma banheira repleta de flores
Pela estrada, pela rua, na calçada
Flores para mim
Flores pros meus braços
Ofertá-las para parabenizar-te
Flores, quantas flores forem necessárias
Pra perguntares pra que tantas flores...

setembro 13, 2004

"Você é o amigo impecável a quem eu respondia que tudo ia mal, que tudo se tornara opaco. Enquanto os demais se calavam ou riam de mim, afastavam-se, deixavam de telefonar, você permaneceu firme no seu afeto por mim, dividindo comigo o estranho segredo de uma relação que cada um condenava -- inclusive você -- mesmo continuando a receber as informações berrantes. Foi mais do que uma presença, algo que permitiu estabelecer a ponte entre as minhas palavras e o indizível, entre a minha loucura e o resto do mundo que estava ali, a me olhar... Vivo, respiro, você está ao meu lado neste infinito de neve. Como lhe exprimir isso? Um dia, escreverei para você, para que saiba o quanto nada é inútil... Que os corredores escondidos onde se passam os amores e se estreitam as amizades levam necessariamente à luz, a fim de que cada um possa reconhecer a elegância dos que souberam, em silêncio, escutar."

em O Próximo Amor, de Yves Simon

setembro 08, 2004

Declaração de Amizade

Hoje, acordei com vontade de falar dos meus amigos. Bem, é claro. Tão bem como eu falaria deste churro que como agora. Não pretendo palavras de gentileza. Se assim for, será mera coincidência. Também não pretendo palavras duras. Às vezes, elas acabam saindo, mas eu sei e meus amigos também sabem, que não merecem isso e que, muitas vezes, são apenas palavras e não intenções.

Não é dia do amigo e também não perdi nenhum. Estão todos aqui comigo, em algum lugar do meu coração. Meu coração não é tão grande assim. Gostaria que fosse, mas não é. Acho que é a parte do meu corpo que menos gosto - meu coração. Questão de tempo, creio eu. Com o tempo, a afinidade se cria e, então, poderei dizer que sou muito mais bondosa do que me permito aparentar. Mas meus amigos nos entendem – a mim e ao meu coração. E este é um dos motivos que me levam a escrever sobre eles. Para eles.

A amizade é um sentimento tão complexo quanto o amor. E lindo também. Vai entender porque você olha para aquela pessoa e, de repente, a mágoa dela passa a ser a sua. A alegria, idem. Se ela está bem, você está. Vai entender porque essa mesma pessoa é a primeira que você pensa quando algo incrivelmente bom lhe acontece. E no contrário também, quando algo terrível passa pela sua vida. Vai entender, ainda, porque você, às vezes, uma pessoa tão metódica, tão centrada, tão limitada, se permite transgredir ao lado de uma pessoa que não lhe exige esforço nenhum para isso – apenas está lá, ao seu lado.

E os amigos propriamente ditos? Como entender as suas origens, o início de todas aquelas sensações boas e ruins? Tem aquele que cresceu com você e conhece um lado seu que aquele outro, que estudou contigo durante quatro anos, desconhece. Ou aquele que você conheceu num show e, por uma paixão em comum, tornaram-se companheiros de muitas experiências. Tem também aquele que era amigo do amigo do seu amigo e você jamais se imaginou ligando para ele numa hora daquelas da madrugada, só para trocar confidências.

O tempo passa, você pode estar na deprê que for, mas sempre aparecerá alguém na sua vida. Não importa se for ali na esquina ou aqui pertinho, no Orkut. E toda vez que um estremecimento romper a base da sua amizade, você vai ficar mal porque todas as pessoas que passam pela sua vida são importantes para você. Todas elas lhe acrescentam um aprendizado, lhe oferecem uma novidade. E você sempre precisará delas e sempre vai encontrar um pedacinho de você nelas. Porque são os nossos amigos os grandes personagens da nossa história. E escritores dela, em parceria com nós mesmos. São peças chaves na nossa vida. São diamantes que precisam ser lapidados, cada um ao seu tempo.

Aos meus amigos, a todos eles, os que conheço na prática ou na teoria, ou nos dois, o meu enorme abraço. A minha declaração de amizade eterna, enquanto durar.

agosto 30, 2004

Eu me transformo em outras

Muitas vezes, acabo pagando um preço alto por não ser boa observadora. Mas percebo também que, quando observo demais, o desconto não é nada merecedor de algum reparo. É triste, muito triste, você ver um grande ícone da mídia brasileira se mostrar só um pouquinho nada convencional, para as pessoas caírem matando. E olha que eu nem falo da massa crítica profissional. Falo dos verdadeiros críticos mesmo, o povo. Aquele mesmo povo que surpreende quando mostra uma opinião produtivamente formada e que também surpreende, com impacto não menos intenso, quando decide não processar o raciocínio de forma construtiva para denegrir a imagem de alguém. Se é que se pode denegrir a imagem de alguém construtivamente.

Ao sair do show “Eu me transformo em outras” da Zélia Duncan, neste último sábado, o burburinho que se ouvia parecia coletivo. A maioria das pessoas não tinha gostado do show. Se a maioria das pessoas não tivesse gostado do show porque não houve muito investimento na produção ou porque o show atrasou um pouco ou, ainda, porque a cantora não interagiu muito com o público, vá lá. Mas, não. A maioria não curtiu o show por causa do estilo das músicas cantadas e pelo fato de não ter havido espaço para os “Clássicos da Zélia Duncan”.

Posso tecer aí algumas teorias: grande parte das pessoas foi ao show sem conhecer o projeto “Eu me transformo em outras” e acabou se surpreendendo com o que ouviu. Se isso é verdade, posso dizer também que a falta de investimento de material publicitário também teve sua parcela de culpa, logo, esta grande parte das pessoas não é e não pode ser tão ferozmente criticada neste texto. Uma outra possibilidade pode ser o fato de que todas essas pessoas tenham ido ao show porque não tinham nada melhor para a noite de sábado. Está bem, essa possibilidade é bastante razoável. Mas a possibilidade que mais faz sentido em todo este processo crítico é que, infelizmente, a massa social apreciadora de música está corrompida. E digo isso com grande pesar, pois se incluem nesta categoria até mesmo a parte desta massa que aprecia a boa música. Na verdade, não só a boa música, mas também os bons cantores.

Sim, diga aí o que está pensando neste momento. Deixe-me ajudá-lo: “mas que menininha petulante, que não se digna a, sequer, respeitar o gosto alheio. Vem aí, com esse textinho moralista e não tem capacidade de perceber que está se manchando com o próprio veneno. Menininha prepotente, essa!”

Era justamente isso o que se passava pela sua cabeça, né? Pode falar, eu não ligo. Você pode até não acreditar, mas a minha inflexibilidade está bastante controlada. Explico: pode sim ser questão de gosto. Aliás, seria estranho se não fosse, porque eu não iria ao show de um artista que não estimo. Não mesmo. E não me venha dizer também que sou uma tiete simplista e sem noção. Tudo isso faz parte de uma teoria que costumo adotar: não comente sobre aquilo que você não possui um mínimo de conhecimento. E, quando eu digo que gosto de música, eu simplesmente gosto. E tenho a mania de estudar aquilo que gosto, à minha maneira. Para mim, a atitude das pessoas que criticaram o show foi uma atitude superficial, sem conhecimento de causa. Falar por falar, apenas para gerar uma opinião, entende? Eu, particularmente, prefiro ser taxada de “sem opinião” do que de “superficial”.

Se você aí gosta de música, de boa música, se não tem preconceito contra os clássicos e se amarra ver o clássico sendo abordado por um contemporâneo, não perca o show de Zélia. Escute o CD e aprecie. Boa música faz bem à alma. Já a superficialidade, esta me transforma em outra pessoa. Nada agradável, lhes garanto.

agosto 23, 2004

Transgredir de verdade é a solução

O meio artístico está cheio de figuras marcadas por uma personalidade forte e por altas dosagens de transgressão. Diante de termos como este, imaginamos um filhinho de papai armando a maior baderna na televisão e influenciando milhares de jovens Brasil afora. Vá lá, não é mentira. Mas é bem verdade também que toda época tem os seus ícones conturbados. Abra uma revista qualquer ou ligue a televisão e você encontrará inúmeras Britneys Spears causando no meio musical, milhares de Dados Dolabellas no meio artístico e intermináveis Fernandas Yongs no meio literário.

Certo, podemos tirar boas perspectivas de tudo isso, afinal, toda época é brindada com tipos que vão contra a corrente. Falo dos famosos transgressores. E, nesse mundo aonde ninguém é de ninguém e todo mundo é igual mas é diferente, transgressor é o adjetivo que a maior parte da nossa classe artística quer carregar a tiracolo. E a problemática disso tudo - sim, porque existe uma problemática -, fica em torno do significado das coisas. Ser transgressor é, antes de tudo, uma responsabilidade. Uma grande responsabilidade. Não é aparecer na mídia e utilizar-se do seu poder para subverter os fracos e oprimidos.

Ser transgressor não é ditar moda. Fazer uma tatuagem ou colocar um piercing no nariz. Tatuagens ou piercings não expoem causas. Transgredir é ir contra, construtivamente. É oferecer uma ideologia. É abrir os olhos da sociedade. Falo do bom transgressor, daquele que faz e que fica.

Transgressores hoje são confundidos com rebeldes sem causa. Muito diferente dos transgressores de ontem. O indivíduo vai, escreve um bilhete de cunho preconceituoso contra todos os nordestinos que vivem na Selva de Pedra, entrega nas mãos de um pobre coitado e pronto. Acha que sua revolução está travada. Este, senhoras e senhores, é um falso revolucionário. Diferente dos jovens que lutaram contra a ditadura na Era Vargas. Diferente dos jovens que passaram suas mensagens por meio da música e foram censurados. Diferentes de espíritos como o meu, como o seu, que me lê agora.

Quando eu falo que a juventude brasileira está corrompida, não minto. Mas também não minto quando penso que ainda há esperanças. Que ainda há boas músicas, bons livros e bons justiceiros. Façamos das nossas crenças a nossa voz, o nosso grito. Vamos compartilhar a nossa sensatez e destruir a hipocrisia. Vamos fazer arte na cabeça dos nossos jovens. Vamos combater os falsos moralistas. Quem se habilita?

agosto 16, 2004

Por que as pessoas vão ao cinema?

Pelo mesmo motivo que as impulsionam a ouvir uma música, você pode dizer.

Por ser um hobby tecnicamente construtivo, capaz de abstrair as futilidades da vida ou de transformá-las, dependendo do ponto de vista.

As pessoas também podem ir ao cinema para se ver sozinhas. Para fugir do mundo que as cerca. Ou para fugir de algumas pessoas. Ou ainda, para fugir com uma pessoa. Uma só.

Para sonhar, sem se importar com a realização. Fechar os olhos e se imaginar caminhando num belo campo coberto de flores silvestres, livres de pensamentos ruins, das maldades que nos cercam, dos espíritos corrompidos. Ou nuas, numa cama forrada com lençóis brancos, acompanhadas pela Nicole Kidman ou pelo Gael Garcia Bernal.

Talvez as pessoas entram na sala escura e sentam-se em frente à grande tela com a intenção única de se transformar. E ninguém termina de ver um filme sem um mero grau de transformação.

Respostas. As pessoas também podem ir ao cinema em busca de respostas. Significados. Justificativas. Elas desejam compreender o amor, explorar o amor, absorver a visão dos cineastas. Compreender a guerra também é outra possibilidade. Talvez as pessoas queiram encontrar culpados. Ou se descobrir culpadas. Existem boas almas que se preocupam com isso.

Projeções. Sim, o cinema também permite ao indivíduo projetar a sua vida. Desenvolver um objetivo. Oferece um ponto de partida, um apoio para o primeiro passo.

O principal motivo que leva as pessoas ao cinema é o auto-conhecimento. O estado de meditação a que recorrem entre uma cena e outra. Entre uma pipoca e outra. A reflexão de um sorriso inesperado, de um comentário baixinho entre o casal do lado. De analisar uma história para poder comentá-la depois. Para recomendar a uma pessoa querida.

As pessoas vão ao cinema porque o cinema é arte. Para quem faz e para quem aprecia. Porque, ao contrário do medo social, a juventude não está corrompida por completo. O cinema salva, assim como a música. Assim como os livros.

agosto 12, 2004

Hein?

A soma dos preconceitos é igual ao quadrado da ignorância multiplicado pela hipocrisia da sociedade. Seria o preconceito uma questão de cultura? Ou será que seria apenas uma complicada questão de educação de berço? Ou, ainda, um distúrbio psicológico, daqueles que nem Freud explica? Hein??

agosto 03, 2004

Criticando a Crítica

Em épocas como a nossa, com toda uma expansão tecnológica, uma diversidade cultural cada vez mais em evidência, com uma forma de pensamento muito diferenciada do convencional, do clássico, do politicamente correto, surgem conceitos no mínimo interessantes sobre a forma de se ver a vida e, sobretudo, sobre a forma do gostar e não gostar, do aceitar e não aceitar, do querer e do não querer, do ser e do não ser.

As pessoas tornam-se críticas umas das outras sem ao menos entenderem o verdadeiro significado de ser crítico. Mas isso é bom? Não, senhoras e senhores. Definitivamente, não é. Hoje em dia, fala-se muito e desconhece-se este muito de que se fala. Não existe relação entre a crítica e o assunto criticado e, por mais que esta minha idéia se designe a uma visão unilateral, insisto em dizer que não é.

O que é muito comum hoje em dia é ver a crítica tecida afastar o crítico do assunto principal e aproximá-lo da sua essência. Conseqüentemente, descobrimos uma sociedade fútil, superficial. Vivemos num mundo de plástico. E se você não está captando esta minha mensagem, tenho algumas dicas que facilitará a sua compreensão: acesse alguma comunidade do tão falado Orkut, dê uma navegada em alguns muitos blogues por aí, leia aqueles e-mails que circulam por nossas caixas-postais em formato de correntes, ouça um pouco a conversa do fulano de trás no coletivo, assista um capítulo de uma novela qualquer.

Não adianta, não há como fugir. Críticas superficiais já fazem parte da nossa cultura e caminhamos cada vez mais para dentro dessa cultura imprópria. Estamos nos afogando em detalhes sórdidos. Alguém precisa resgatar certos valores, certos comportamentos. Aceitar o novo, mas não ignorar o velho, manja? Aprender com o velho. Aprimorar o velho. Precisamos colocar propriedade em nossos argumentos. Precisamos merecer ser ouvidos. Senão, os nossos gritos serão em vão. A nossa juventude não vai ficar como ficou as juventudes passadas. Não seremos lembrados por bons motivos, por grandes feitos. Precisamos intelectualizar os nossos jovens. Alguém aí me ouve? Façam eco deste meu lamento.

julho 27, 2004

Jaburu neles

Extra! Extra! Extra! Dizem as boas línguas que o Marcelino reinstituiu o PRÊMIO JABURU DE PROSA E POESIA!

Quer fazer um bem para o meio literário? Quer mesmo? Então, clique bem aqui e não faça cerimônias para indicar a pior obra literária que você leu nos últimos tempos.

Não tenha dó. Indique o nome da obra e seu criador que os leitores encarecidamente agradecem.


Li-te-ra-tu-ra

Literatura. Literatura. Literatura. Há assunto mais envolvente que Literatura? É pauta em todas as rodas de amigos, em sala de aula, nas boates, na fila do banco, em tudo. Ah, você duvida? Tudo é literatura, my darling. Tudinhô. Você abriu a boca, pronto: virou história.

Música é literatura. Sim, sim, literatura em movimento, é verdade. Mas é literatura sim. Pensamento também é e, se não foi escrito ou mencionado, é literatura não revelada. Mas é.

Tudo nessa vida tem um desfecho. Tudo tem começo. Tá bom, eu confesso, nem tudo tem um fim. Mas eu não ia dizer isso. Sério! A literatura, monsenhor, está aonde você quer que ela esteja. Pode ser aí ao seu lado ou aqui, na minha mente perturbada. Ela não larga do nosso pé e isso não tem nada a ver com gostar ou não de ler. Se você esquece dela, ela lembra de você. E pronto.

É um ciclo. Vicioso não. A literatura é um ciclo virtuoso.

julho 23, 2004

Terráqueos com a cabeça em... Marte

Muito prazer, Guaíba!

No elevador panorâmico...

- Você já foi apresentado ao Guaíba? - perguntou a moça que o recepcionava.
Zé, que além de bom profissional era educado na presença de desconhecidos, dirigiu-se ao ascensorista do elevador:
- Muito prazer, José!
A moça, que também era muito educada, mas não contendo a risada explicou:
- Ah, sim, este é o Sr. João. E à sua frente, temos o Rio Guaíba.

***

Viciada em literatura

Julio liga para Isabela...

- Oi, Isa, tudo bem?
- Tudo. O que manda?
- Meu, aqui está uma correria. Os alunos estão organizando a participação nos jogos universitários e estão atrás de patrocínio. Sabe quem irá patrociná-los?
- Não faço idéia...
- Daslu.
- Caraca, que legal!
- Sabe quem é, né?
- Ai, claro que sei. Daslu - grande poeta!

***

Ingenuidade estantil

Marcelo e suas amigas combinando um cineminha...

- E então, pessoal, já decidiram qual filme veremos?
- Ah, eu só vou ao cinema pra pagar meia.
- Se for assim, não contem comigo!
- Por quê?
- Que isso! Ir ao cinema, assistir meio filme e ir embora!? Ah, não...

***

Balde de água fria

Numa mesa de bar...

- Nossa, já são oito horas. Preciso ir. Meu chuveiro queimou e preciso providenciar um urgentemente.
- Relaxa, fica mais. Sabe o que você pode fazer?
- O quê?
- Pega o seu carro, vai no posto da rua de cima e enche o tanque. Eles estão com uma promoção assim: "Encha o tanque e ganhe uma ducha!"

julho 20, 2004

Seção Publicidade

1. Quase amiga de Clarah Averbuck

Eis parte da dedicatória que Clarah deixou no meu "Vida de Gato", no lançamento oficial, ontem, na Fun House. Muito simpática e descontraída, ela recebeu amigos e amigos dos seus amigos, para uma noite de autógrafos e muita cerveja, vinho e afins. E, quem compareceu, também teve a oportunidade de ver a performance de Catarina, a Pequena que revelou-se, transformando-se em Catarina, a Pequena Dançante.

"Vida de Gato" é o terceiro livro de Clarah Averbuck, publicado pela Editora Planeta. Foi gerado em cerca de três meses, ainda na época em que o falecido Brazileira!Preta fazia acontecer na blogsfera. Logo no começo da obra, você já adentra no universo teen conturbado e contra-indicado em caso de preconceitos vários que você possa vir a ter contra jovens-mães-escritoras-tatuadas.

Em seu "Vida de Gato", Clarah Averbuck atesta mais uma vez que estilo e personalidade também são fatores cruciais para uma boa literatura e, sobretudo, para a descoberta da nova literatura. Clarah é, atualmente, a escritora que mais atinge o público jovem no Brasil e, conseqüentemente, o arrasta para o universo literário, coisa que seus piores críticos não conseguem enxergar. Ou não querem enxergar, amparados por um tradicionalismo idiota. Não. Você me entenderá mal apenas se quiser. Não estou renegando os clássicos. Viva os clássicos! Viva os contemporâneos!

Quer entender tudo isso que eu disse aí em cima? Leia Clarah Averbuck.

2. Paralelo de Luiz Esposto

Sim, ele mesmo. O cara que mais pisou no meu pé na faculdade. O cara que me tirava do sério quando ousava interromper as minhas prosas em sala de aula. O cara responsável por um dos momentos mais engraçados na Uniabc, quando confundiu insulfilme com tarde de temporal. O cara que quase me convenceu a ser professora de verdade (e que, inconscientemente, continua tentando). O cara que tem a paixão como educação e educação como paixão.

Luis Esposto resolveu compartilhar com a gente suas experiências e expectativas na área educacional, vividas dentro e fora da sala de aula. Decidiu compartilhar teorias, suas ou não, e seu intelectualismo refinado. Tenho o orgulho de lhes apresentar o Paralelo. Espero que gostem!

julho 19, 2004

Os filhos da gota

Corre, moleque! Olha lá, tem lugar na janela. Cuidado com a moça, ô filho da gota serena!

Ai, não abre. Está tudo emperrado.

Se fizer barulho, desce todo mundo. Tô avisando!

Podexá, ô fio do chico! O motô tá estressado, tá vendo?

Noooossa, tô até vendo minha mãe quando eu chegar em casa: "Aonde você estava até agora, Derrota?" "Mas é um desgraçado, um fio da moléstia mesmo!"

Caramba, você fala igualzinho. E meu pai? Vai querer me arrancar o couro...

Nem sei aonde eu vou dormir. A v... da minha irmã já deve ter pegado minha cama. Se eu não tô lá na hora de dormir, já era.

Mas também, ô gota serena, você tem um monte de irmão!

Eu tenho SEIS irmãs!

Vixi, a mãe dele é uma parideira!

Fica quieto aí, ô mané. Você não sabe de nada. Meu pai tem duas mulheres, né?

E mora com as duas??

Daarrrd!! Claro que não, só com minha mãe.

Olha a batida! Caramba, como é que o carro foi parar daquele lado?

Olha ali o bombeiro!

Ai, mas é um burro mesmo. Como o carro foi parar daquele lado? Com a mão, né, estrupício!

Ah, sim, com a mão. Mas como tu é burro, moleque!

Se continuar o barulho, desce todo mundo. Tô avisando!

Cala a boca aí, ô Derrota!

Ei, vamos descer em Diadema?

Pra quê?

Xiii, a menininha tá morrendo de medo.

Vamos aí. Dá o sinal!

- Valeu, motô!
- Tchau, fio do chico!
- Valeu, ô filho da gota!

julho 13, 2004

O encontro marcado

Melancolia. Deve ser porque acabei de ler mais um livro. Talvez o melhor que tenha lido até hoje. Aquele que condiz com as incertezas humanas, que oferece familiaridade com nossos conflitos, que aplica justificativas para o que você queira justificar. Devo estar sendo exagerada como sempre, mas talvez a história de Eduardo Marciano seja a minha biografia, a sua e a desse infeliz aí do seu lado.

O livro partiu das melhores indicações que eu poderia receber - Olá, tudo bem? Conheci você por meio do fulano de tal, do blogue tal, do texto tal. Parabéns! - geralmente, minhas palavras são bem mais entusiastas, mais sensíveis e geram um efeito muito mais verdadeiro, como de fato o é pra ser. E o retorno também é produzido por efeito semelhante. Às vezes, nem pelas minhas palavras, mas por ele mesmo, o sobrenome - Oi, Juliana! Obrigada pelas palavras et cetera e tal. Marciano é o nome do personagem que mais gosto do Sabino. Você já o leu? Se ainda não, vale a pena.

Marciano. Eduardo Marciano. Dúvida-procura-busca-encontro. O encontro Marcado. Até a quinta recomendação eu ainda não havia lido, mesmo tendo decidido ler na primeira, aliás, recomendação gerada por uma paixão. Fazia tempo que não via alguém tão empolgada com um escritor. E se é em Fernando Sabino que Cecília busca suas influências, puta que pariu, por que esperei tanto tempo?

Pensando bem, melancolia não é exatamente o que sinto agora. Sinto-me surpresa. Um escavador que encontra um grande tesouro. Que não sabe ao certo o que fará com ele. Talvez observá-lo por algum tempo. Apenas observá-lo. Depois, compartilhá-lo. Em vão. Não há como compartilhá-lo, mas é possível mostrar o caminho para a descoberta desse tesouro que está sob os pés de todos nós. Não adianta, tem que ser uma descoberta individual e nada do que eu pense ou diga fará sentido. Vá fundo. Então, eis a chave, mas com uma condição: conte-me tim tim por tim tim da sua escavação. Cuide dela com carinho!

julho 12, 2004

Uh, cadê, a Juliana sumiu!

Não, pessoal, não sumi não. Ainda não! O Proseando continua. Tem que continuar, com o ritmo que satisfaça a todo mundo, claro. A questão é que a proseadora aqui está meio sem ritmo. Mas continuo observando a vida por aí, nos coletivos, nos shows, bares e nos mundos protegidos pelas páginas de bons livros. Tem um montão de coisas às quais gostaria de comentar: novas amizades, novas trilhas sonoroas, novas cabeçadas, enfim, aguardem! Uma hora, essa minha inconstância deixa de ser uma constante. Amanhã, quem sabe?

Beijo grande,

Ju

julho 01, 2004

Incenso Fosse Música
(Paulo Leminsk)

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além