março 26, 2007
porque eu converso com a tevê, sabe como é? é, sim. os caras ficam lá falando e eu falo de volta. tem dia de manhã que eu me emociono até com o jornal. com a porra dos cinqüenta anos da união européia. pode isso? e mando o chavez pra putaquepariu porque ele decidiu reintegrar terras pra criar gados. okay. cada povo tem o presidente que merece e eu tenho o lula. deveria guardar minhas lágrimas para o meu povo, né não? mas tá bom, tem lágrimas pra todo mundo. e comentário pra tudo também. porque eu estou voltando ao estranho estado de ter a resposta na ponta da língua pra quem quer que seja. falar com a tevê e sozinha no coletivo é coisa de doido. de marciano mesmo. daqui a pouco vou conversar comigo mesma sobre meus segredos e todo mundo vai ficar sabendo. quando era pequena e sentia que estava crescendo - essa coisa de adolescente, sabe? -, eu tinha o estranho medo de que as pessoas ouvissem o que eu pensava. e outras coisas do tipo "será que o amarelo pra mim não é verde pra ele?". pois é. só depois eu fui perceber que não adiantava ter esse tipo de medo porque os pensamentos eram audíveis sim, senhora. e a certeza da vez é: tenho medo de mim.
hoje me sinto um pouco perdida nos labirintos das minhas dúvidas. coloco as esperanças todas no tempo - essa minha arte de buscar esperança! - e ouço o calm down na minha cabeça com a mesma freqüência que entôo o será?!
aí eu venho até aqui, escrevo isso aí em cima e novamente não me reconheço. antes que eu apague tudo, toma!
aí eu venho até aqui, escrevo isso aí em cima e novamente não me reconheço. antes que eu apague tudo, toma!
março 08, 2007
descobri que sou uma negadora nata, daquelas que negam a essência, os problemas, as alegrias, os anseios.
em relação a você, muita coisa deixou de ser negada. só você teve o dom de me causar certas sensações. jamais neguei que passar madrugadas ao seu lado, filosofando sobre a vida e rindo das nossas histórias com nossos amigos foram momentos impagáveis.
jamais neguei que minha vida cheia de gente hoje foi desenvolvida me espelhando em você.
jamais neguei que minha paixão musical nasceu por sua causa, ainda quando falávamos de bossa nova, da dany gato e da zelinha.
jamais neguei que a profissional juliana hoje foi inicialmente idealizada por você, graças ao seu feeling de sacar pessoas e aproveitá-las - não se aproveitar delas. não entendo bem o porquê, mas não me sinto aproveitada negativamente por você. porque o amor é capaz de justificar até o injustificável.
jamais neguei que você sempre foi uma boa pessoa. até hoje insisto em acreditar que os nossos desvios ocorreram por conta de um coração deixado de lado - o seu.
jamais neguei que sempre quis o seu bem, mesmo quando você jogou na minha cara que minhas reais intenções eram outras, bem outras. mesmo não encontrando fundamento, decidi não invocar qualquer espécie de explicação. prossegui jamais negando que você deu alguma espécie de sentido à minha vida, me abrindo os olhos e os fechando de vez em quando.
jamais neguei que enxergava uma importância tremenda quando, trabalhando, você me despertava com um "oi" do outro lado da linha. ou quando eu ouvia pelo celular "alô alô marciano", carinhosamente dedicada a mim.
jamais neguei que encontrei verdade nas suas palavras - das primeiras às últimas - e por isso estou aqui te libertando do meu coração. e acredite, também não nego que minhas decisões tenham sido impróprias.
de tudo, hoje percebo que você foi a minha única não negação. e esse tipo de coisa somente acontece quando há amor, aquele amor parecido com o maior do mundo. não o de mãe ou o de filho - quase isso, o de amigo.
não nego aqui que jamais senti saudades. que jamais senti vontade de pegar no telefone e te contar sobre o beijo que eu dei, o livro que eu li, o show que eu fui. ou de sair por aí perguntando de você, mesmo sem haver necessidade porque todo mundo me traz notícias suas. não me atrevo negar que fico desesperada quando a notícia que chega é que você está aflito com alguma coisa.
não nego em circunstância alguma que o nosso fim fez em mim um estrondo horrível.
assumo e não nego que passei os últimos doze meses engolindo o choro e que a minha técnica de espairecer foi por água abaixo, libertando soluços sofrridos, logo depois que o avistei vindo na minha direção e eu levantei a cabeça e apressei o passo.
não nego você porque, como diz Drummond:
"de tudo fica um pouco
às vezes um botão
às vezes um rato."
não acho que seja possível pôr um fim no fim. novidade de espírito não tem nada a ver com espírito evoluído. não acho que mudei muita coisa ou que esta situação deva ser mudada. também não busquei em nenhum momento o "dizem por aí", mas acho que você tem o direito de saber como eu me senti durante todo esse tempo. como eu me sinto agora.
apenas isso.
como não tenho culhão pra dizer tudo isso pessoalmente, lanço minhas palavras ao cyberespaço.
em relação a você, muita coisa deixou de ser negada. só você teve o dom de me causar certas sensações. jamais neguei que passar madrugadas ao seu lado, filosofando sobre a vida e rindo das nossas histórias com nossos amigos foram momentos impagáveis.
jamais neguei que minha vida cheia de gente hoje foi desenvolvida me espelhando em você.
jamais neguei que minha paixão musical nasceu por sua causa, ainda quando falávamos de bossa nova, da dany gato e da zelinha.
jamais neguei que a profissional juliana hoje foi inicialmente idealizada por você, graças ao seu feeling de sacar pessoas e aproveitá-las - não se aproveitar delas. não entendo bem o porquê, mas não me sinto aproveitada negativamente por você. porque o amor é capaz de justificar até o injustificável.
jamais neguei que você sempre foi uma boa pessoa. até hoje insisto em acreditar que os nossos desvios ocorreram por conta de um coração deixado de lado - o seu.
jamais neguei que sempre quis o seu bem, mesmo quando você jogou na minha cara que minhas reais intenções eram outras, bem outras. mesmo não encontrando fundamento, decidi não invocar qualquer espécie de explicação. prossegui jamais negando que você deu alguma espécie de sentido à minha vida, me abrindo os olhos e os fechando de vez em quando.
jamais neguei que enxergava uma importância tremenda quando, trabalhando, você me despertava com um "oi" do outro lado da linha. ou quando eu ouvia pelo celular "alô alô marciano", carinhosamente dedicada a mim.
jamais neguei que encontrei verdade nas suas palavras - das primeiras às últimas - e por isso estou aqui te libertando do meu coração. e acredite, também não nego que minhas decisões tenham sido impróprias.
de tudo, hoje percebo que você foi a minha única não negação. e esse tipo de coisa somente acontece quando há amor, aquele amor parecido com o maior do mundo. não o de mãe ou o de filho - quase isso, o de amigo.
não nego aqui que jamais senti saudades. que jamais senti vontade de pegar no telefone e te contar sobre o beijo que eu dei, o livro que eu li, o show que eu fui. ou de sair por aí perguntando de você, mesmo sem haver necessidade porque todo mundo me traz notícias suas. não me atrevo negar que fico desesperada quando a notícia que chega é que você está aflito com alguma coisa.
não nego em circunstância alguma que o nosso fim fez em mim um estrondo horrível.
assumo e não nego que passei os últimos doze meses engolindo o choro e que a minha técnica de espairecer foi por água abaixo, libertando soluços sofrridos, logo depois que o avistei vindo na minha direção e eu levantei a cabeça e apressei o passo.
não nego você porque, como diz Drummond:
"de tudo fica um pouco
às vezes um botão
às vezes um rato."
não acho que seja possível pôr um fim no fim. novidade de espírito não tem nada a ver com espírito evoluído. não acho que mudei muita coisa ou que esta situação deva ser mudada. também não busquei em nenhum momento o "dizem por aí", mas acho que você tem o direito de saber como eu me senti durante todo esse tempo. como eu me sinto agora.
apenas isso.
como não tenho culhão pra dizer tudo isso pessoalmente, lanço minhas palavras ao cyberespaço.
março 06, 2007
fevereiro 12, 2007
Okay. Acho que a estas alturas, vocês devem estar pensando que era tudo uma brincadeira. Ou alguma alucinação. Hein? Mas não. Não mesmo. Minha notícia já tem formato. Tem uma carinha linda. E foi escrita a 18 mãos. Taí: duas crônicas na 1ª Antologia Literária do Grupo de Escritores da Uniabc:

Além da dedicação dos 18 escritores, este trabalho apenas foi possível graças e tão somente ao engajamento do Simkão. Sim, ele mesmo, o Sergio Simka. O cara que também me ofereceu oxigênio para mergulhar de volta e bem fundo no mundo da escrita. O meu eterno agradecimento a você, Simkão.
Mais novidades sobre este ilustre lançamento no blogue oficial do Grupo de Escritores da Uniabc, bem aqui.
Como diria o Simkão: "saudações literárias"!

Além da dedicação dos 18 escritores, este trabalho apenas foi possível graças e tão somente ao engajamento do Simkão. Sim, ele mesmo, o Sergio Simka. O cara que também me ofereceu oxigênio para mergulhar de volta e bem fundo no mundo da escrita. O meu eterno agradecimento a você, Simkão.
Mais novidades sobre este ilustre lançamento no blogue oficial do Grupo de Escritores da Uniabc, bem aqui.
Como diria o Simkão: "saudações literárias"!
fevereiro 09, 2007
Após cervejas, lamentos e muitos risos, a vida parece que fica mais leve. Não leve no sentido de que o álcool seja um grande brutamontes afastador de problemas perigosos que a gente tem quando normalmente está sóbria. Mas no sentido de deixar a mente predisposta a entender o mundo interior, refletido como num espelho no mundo exterior. Ou vice-versa, não sei ao certo. A questão é que aquelas cervejas entraram em mim com o ilustre objetivo de me trazer de volta ao meu mundo, aquele que eu quis, depois não quis mais e que agora quero de novo. Não importa. É o meu mundo. Com oxigênio do bom, mergulhei num passado do qual eu tinha me esquecido. No tempo que eu escrevia melhor, tinha idéias bacanas e não tinha medo de sair escrevendo. Tempo que a Clarah era minha ídala e a Maria Rita ocupava um lugar semelhante ao da Zelinha. Tempo que eu era mais crítica e tinha as idéias melhor organizadas. Tempo que eu me recusava sofrer do coração e não levava a vida tão a sério. Tempo que eu conquistava amigos com uma facilidade inenarrável. Tempo que eu não tinha uma montanha de contas a pagar e via meu empreogo como o maior desafio da minha vida. Tempo que eu dizia que escreveria um livro e me jogava de corpo e alma nessa idéia. Tempo que eu surpreendia facilmente. Tempo que este blogue sequer existia. Agora eu vejo o tempo atual e não consigo entender como congelei desta forma. Tenho que sair à procura do meu idealismo político, do meu ritmo literário. Tenho que encontrar novos ídolos, absorver mais experiências. Espera aí, acho que estou me achando. Será?
fevereiro 05, 2007
Um dia ela foi boa pra mim. Um dia eu decidi não ouvir o que tinham a me dizer a seu respeito e durante muito tempo isso foi decididamente muito bom. Eu e a minha opinião - a gente costuma se dar bem. Não existiam julgamentos. Não existiam preocupações do que se era dito ou do que se ouvia. O deslumbre em relação a mim alimentava o meu ego e tudo era cômodo. Até que o jogo virou. E eu vi um falso moralismo imperar sob o que eu achava ser suficiente. E eu vi algum tipo de interesse ainda não decifrado se aproximar sorrateiramente. Isso tudo am partir do memento que ela reaproximou aquela pessoa de mim, ciente de que eu não queria. Então eu deixei de ficar à vontade com ela. Mais uma que se vai como uma nuvem que passa e deixa o alívio da tempestade que também se foi.
Hoje estou só, acompanhada de mim.
"É assim:basta eu ter muita certeza. Aí ela vai lá e se joga. As minhas certezas são suicidas." (Clarah Averbuck)
Hoje estou só, acompanhada de mim.
"É assim:basta eu ter muita certeza. Aí ela vai lá e se joga. As minhas certezas são suicidas." (Clarah Averbuck)
janeiro 28, 2007
O menino é homem
Tum. Tum. É preciso ser muito homem. Tum. Tum. E vai ser até o final dessa semana. Tum. Tum. Está decidido.
De pouquinho em pouquinho não dá, tem que ser de uma vez. Esta é a essência. Direto e sem meias palavras. Pra quê rodeios? Poderia ser depois, mas pode ser agora. A essência manda e assim será.
Pai de um lado. Mãe do outro. Irmãs no meio da confusão interna. O menino não é mais criança, alguém poderia justificar. E a vergonha?, talvez a maioria perguntaria. E a minha felicidade?, o menino justificaria.
Começa o discurso. O menino é valente. É muito é homem. O menino está nervoso e inquieto. O menino começa.
Todo mundo desconfiava, mas ninguém tinha o mérito da valentia do menino. O pai simula um sorriso. Pode ser de nervoso. Pode ser de orgulho. O menino desanda a falar por cerca de dez minutos, marejando os olhos do pai.
A mãe diz que o menino é seu filho e que sempre o amará. A irmã diz que o menino sempre terá seu apoio. A outra não precisa dizer nada. O pai esconde a face por entre as mãos.
O menino permanece seguro, tirando das suas costas o peso da omissão, a iminência da rejeição. Certifica-se a cada instante de que aquela era a decisão mais honrosa dos seus dezoito anos. O menino, o segundo homem da família.
O pai pergunta sobre mulheres. O menino não tem as respostas satisfatórias ao pai. O pai fala da vergonha. O menino fala do respeito à família e da sua felicidade. A mãe murmura um cômico e inesperado comentário de alívio. O pai pergunta o porquê de ser com ele. O menino prefere não se aprofundar.
O pai e o menino ficam sozinhos. O pai, chorando feito criança. O menino dizendo que ama o pai. O abraço acontece.
O menino que gosta das meninas, mas o seu conhecer a fundo não é o ditado como certo pela sociedade.
O menino que é homem por assumir que gosta de outro homem.
Tum. Tum. E o assunto está consumado.
Tum. Tum. É preciso ser muito homem. Tum. Tum. E vai ser até o final dessa semana. Tum. Tum. Está decidido.
De pouquinho em pouquinho não dá, tem que ser de uma vez. Esta é a essência. Direto e sem meias palavras. Pra quê rodeios? Poderia ser depois, mas pode ser agora. A essência manda e assim será.
Pai de um lado. Mãe do outro. Irmãs no meio da confusão interna. O menino não é mais criança, alguém poderia justificar. E a vergonha?, talvez a maioria perguntaria. E a minha felicidade?, o menino justificaria.
Começa o discurso. O menino é valente. É muito é homem. O menino está nervoso e inquieto. O menino começa.
Todo mundo desconfiava, mas ninguém tinha o mérito da valentia do menino. O pai simula um sorriso. Pode ser de nervoso. Pode ser de orgulho. O menino desanda a falar por cerca de dez minutos, marejando os olhos do pai.
A mãe diz que o menino é seu filho e que sempre o amará. A irmã diz que o menino sempre terá seu apoio. A outra não precisa dizer nada. O pai esconde a face por entre as mãos.
O menino permanece seguro, tirando das suas costas o peso da omissão, a iminência da rejeição. Certifica-se a cada instante de que aquela era a decisão mais honrosa dos seus dezoito anos. O menino, o segundo homem da família.
O pai pergunta sobre mulheres. O menino não tem as respostas satisfatórias ao pai. O pai fala da vergonha. O menino fala do respeito à família e da sua felicidade. A mãe murmura um cômico e inesperado comentário de alívio. O pai pergunta o porquê de ser com ele. O menino prefere não se aprofundar.
O pai e o menino ficam sozinhos. O pai, chorando feito criança. O menino dizendo que ama o pai. O abraço acontece.
O menino que gosta das meninas, mas o seu conhecer a fundo não é o ditado como certo pela sociedade.
O menino que é homem por assumir que gosta de outro homem.
Tum. Tum. E o assunto está consumado.
janeiro 08, 2007
e agora? entrei aqui e poderia despejar tudo o que escrevi no papel e na minha mente inquieta desde meu último post. gostaria até de ser mais prolixa. mas este teclado minúsculo não me permite. estou de férias numa casa que não é a minha, numa cidade que não é a minha, num estado que não é o meu e num computador que não me pertence. minhas, somente as lembranças. justamente estas, às quais gostaria que não fossem. ok. o ano promete e acho que a semana também. vou nessa lavar o corpo, já que ainda não encontrei a melhor maneira de lavar a alma.
muito prazer, dois mil e sete. eu sou a juliana.
muito prazer, dois mil e sete. eu sou a juliana.
novembro 20, 2006
O Poder da Música
Pronto, comprei para os três dias, comentei feliz da vida com a Tarsi. Sorrindo, ela me olhou e comentou que isso não era lá muito normal. Normal? – pensei comigo. É, normal, foi isso mesmo o que ela disse. Foi então que parei para refletir sobre este aspecto de normalidade. Três dias curtindo o mesmo show que vi um milhão de vezes. Três dias ouvindo ao vivo as músicas da cantora que ouço pelo menos uma vez ao dia. Três dias num compromisso inadiável em prol de um relacionamento entre fã e artista. Tudo isso sem falar na marca registrada: Zélia Duncan para o resto do mundo e “Zelinha” para a Juliana e os amigos da Juliana, inserida de forma tão natural no dia-a-dia:
- Ju, você viu que a Zelinha vai passar no Fantástico? - perguntam uns, aqueles que mal sabem cantar “Catedral”.
- Ju, como é mesmo o nome daquela música da Zelinha que você falou no outro dia? – perguntam outros.
Outro dia, a Tarsi me contou que um dos momentos mais tristes da sua vida foi o enterro da avó da sua amiga. A velhinha, em vida, gostava muito de uma certa música da qual não me recordo, e havia pedido para que a cantassem durante o seu sepultamento. Num determinado momento, alguém entoou a tal música, deixando todos com um imenso nó na garganta. E então, eu tive a grande idéia: quando eu morrer, vou querer que entoem uma música também. Claro, terá que ser uma música da Zelinha. E continuei: a música mais propícia para a ocasião será “Alma”. Imagine eu sendo enterrada e, ao fundo, a voz da Zelinha dizendo “Alma, deixa eu ver sua alma”? Muita gente quase morreu de rir, mas a idéia foi tão na brincadeira assim.
Todas essas passagens fizeram com que eu buscasse dentro dessa minha idolatria algo que justifique a normalidade colocada em xeque pela Tarsi. Não encontrei nada de muito surpreendente. Gostar de Zélia Duncan não é a mesma coisa que ser fã número um da Angelina Jolie ou do Brad Pitt. Eu não sou fã da Zélia Duncan porque ela é gostosa, dita moda, apareceu no Faustão ou por qualquer outro motivo fútil que justifica, tristemente, a idolatria de muitos outros fãs com seus respectivos ídolos mundo afora. A grande verdade é que eu sou fã da Zélia Duncan porque ela fala de mim, das coisas que me tornam feliz, das que me afligem, das minhas ambições, minhas buscas.
Ninguém entende que quando eu ouço “Benditas”, me aprofundo tanto nas minhas crenças que a música me cai como uma oração, a qual tomo a audácia de comparar seu efeito com o de rezar um Pai Nosso.
Ninguém entende que quando eu ouço “Distração” meu coração se enche de esperança em relação à vida e eu pareço escutar vozes dizendo siga em frente, não desista!
Ninguém entende que quando eu ouço “Hóspede do Tempo” me sinto tão responsável pelas coisas boas e ruins que acontecem ao meu redor, que, sem querer, me humanizo e me conscientizo de que, mesmo diante de tantos deslizes, tenho que me concentrar no bem acima de tudo.
Ninguém entende que quando eu ouço “O Meu Lugar”, acabo enxergando possibilidades à minha volta e entendendo que tudo na vida é uma questão de tempo, desde que eu não desista de prosseguir.
A minha relação de fã com a artista Zélia Duncan talvez ocorra por uma feliz coincidência que nós duas temos em comum: ela canta as coisas nas quais acredita e o seu cantar é uma forma de mostrar para as pessoas que é assim que ela se entende e encara o mundo; eu por minha vez, ouço na voz dela as coisas, as quais eu acredito. O meu ouvir, igualmente ao seu cantar, também é uma forma de me entender e encarar o mundo.
A grande responsável por isso é a música. E só. O que também não desqualifica Zelinha com o fato de ser uma artista arrebatadoramente completa: canta maravilhosamente bem, manuseia perfeitamente muitos instrumentos musicais, desenvolve a melhor relação fã-artista da qual já ouvi falar, e é uma das mais talentosas poetas viva e em atividade que o Brasil tem hoje.
Quando alguém criticar a minha condição de fã da Zélia Duncan, restará a mim convidar essa pessoa a ouvir Zélia Duncan como ela realmente merece ser ouvida. E estaremos conversados.
Pronto, comprei para os três dias, comentei feliz da vida com a Tarsi. Sorrindo, ela me olhou e comentou que isso não era lá muito normal. Normal? – pensei comigo. É, normal, foi isso mesmo o que ela disse. Foi então que parei para refletir sobre este aspecto de normalidade. Três dias curtindo o mesmo show que vi um milhão de vezes. Três dias ouvindo ao vivo as músicas da cantora que ouço pelo menos uma vez ao dia. Três dias num compromisso inadiável em prol de um relacionamento entre fã e artista. Tudo isso sem falar na marca registrada: Zélia Duncan para o resto do mundo e “Zelinha” para a Juliana e os amigos da Juliana, inserida de forma tão natural no dia-a-dia:
- Ju, você viu que a Zelinha vai passar no Fantástico? - perguntam uns, aqueles que mal sabem cantar “Catedral”.
- Ju, como é mesmo o nome daquela música da Zelinha que você falou no outro dia? – perguntam outros.
Outro dia, a Tarsi me contou que um dos momentos mais tristes da sua vida foi o enterro da avó da sua amiga. A velhinha, em vida, gostava muito de uma certa música da qual não me recordo, e havia pedido para que a cantassem durante o seu sepultamento. Num determinado momento, alguém entoou a tal música, deixando todos com um imenso nó na garganta. E então, eu tive a grande idéia: quando eu morrer, vou querer que entoem uma música também. Claro, terá que ser uma música da Zelinha. E continuei: a música mais propícia para a ocasião será “Alma”. Imagine eu sendo enterrada e, ao fundo, a voz da Zelinha dizendo “Alma, deixa eu ver sua alma”? Muita gente quase morreu de rir, mas a idéia foi tão na brincadeira assim.
Todas essas passagens fizeram com que eu buscasse dentro dessa minha idolatria algo que justifique a normalidade colocada em xeque pela Tarsi. Não encontrei nada de muito surpreendente. Gostar de Zélia Duncan não é a mesma coisa que ser fã número um da Angelina Jolie ou do Brad Pitt. Eu não sou fã da Zélia Duncan porque ela é gostosa, dita moda, apareceu no Faustão ou por qualquer outro motivo fútil que justifica, tristemente, a idolatria de muitos outros fãs com seus respectivos ídolos mundo afora. A grande verdade é que eu sou fã da Zélia Duncan porque ela fala de mim, das coisas que me tornam feliz, das que me afligem, das minhas ambições, minhas buscas.
Ninguém entende que quando eu ouço “Benditas”, me aprofundo tanto nas minhas crenças que a música me cai como uma oração, a qual tomo a audácia de comparar seu efeito com o de rezar um Pai Nosso.
Ninguém entende que quando eu ouço “Distração” meu coração se enche de esperança em relação à vida e eu pareço escutar vozes dizendo siga em frente, não desista!
Ninguém entende que quando eu ouço “Hóspede do Tempo” me sinto tão responsável pelas coisas boas e ruins que acontecem ao meu redor, que, sem querer, me humanizo e me conscientizo de que, mesmo diante de tantos deslizes, tenho que me concentrar no bem acima de tudo.
Ninguém entende que quando eu ouço “O Meu Lugar”, acabo enxergando possibilidades à minha volta e entendendo que tudo na vida é uma questão de tempo, desde que eu não desista de prosseguir.
A minha relação de fã com a artista Zélia Duncan talvez ocorra por uma feliz coincidência que nós duas temos em comum: ela canta as coisas nas quais acredita e o seu cantar é uma forma de mostrar para as pessoas que é assim que ela se entende e encara o mundo; eu por minha vez, ouço na voz dela as coisas, as quais eu acredito. O meu ouvir, igualmente ao seu cantar, também é uma forma de me entender e encarar o mundo.
A grande responsável por isso é a música. E só. O que também não desqualifica Zelinha com o fato de ser uma artista arrebatadoramente completa: canta maravilhosamente bem, manuseia perfeitamente muitos instrumentos musicais, desenvolve a melhor relação fã-artista da qual já ouvi falar, e é uma das mais talentosas poetas viva e em atividade que o Brasil tem hoje.
Quando alguém criticar a minha condição de fã da Zélia Duncan, restará a mim convidar essa pessoa a ouvir Zélia Duncan como ela realmente merece ser ouvida. E estaremos conversados.
novembro 16, 2006
Soltando o Verbo - Uma eclética reunião de crônicas
"Enfim meu livro saiu, caramba!" - foi assim que recebi a entusiasmada notícia de lançamento do livro da minha amiga dos tempos de Vega, Ari.
Estava ela dando bandeira por aí num belo dia, quando seu editor pediu que enviasse duas crônicas para uma conferida. Assim, despretensiosamente, ela mandou e deu nisso! Uma coletânea muito bem estruturada por vinte cronistas para o nosso deleite.
Quer saber mais? Vai lá, oras!
Onde: Bar e Restaurante Santa Zoé - R. Cotoxó, 522 - Perdizes - SP.
Quando: 22/11/2006 - quarta, das 19h às 23h.
Soltando o Verbo - Uma eclética reunião de crônicas - dentre muitos, também por Ariett Gouveia.
"Enfim meu livro saiu, caramba!" - foi assim que recebi a entusiasmada notícia de lançamento do livro da minha amiga dos tempos de Vega, Ari.
Estava ela dando bandeira por aí num belo dia, quando seu editor pediu que enviasse duas crônicas para uma conferida. Assim, despretensiosamente, ela mandou e deu nisso! Uma coletânea muito bem estruturada por vinte cronistas para o nosso deleite.
Quer saber mais? Vai lá, oras!
Onde: Bar e Restaurante Santa Zoé - R. Cotoxó, 522 - Perdizes - SP.
Quando: 22/11/2006 - quarta, das 19h às 23h.
Soltando o Verbo - Uma eclética reunião de crônicas - dentre muitos, também por Ariett Gouveia.
novembro 02, 2006
Contramão
O que me incomoda é a voz do mundo
Fundo de certezas impensadas
Mente que vê
E acha que crê
Naquela humanidade desenhada
O que me estranha é a voz do coração
Aquele que sente a pureza descrente
Amor desumano
Nas notas da canção
A vida em gotas d’água
Sem certezas, só estradas
Caminhos certos na contramão
O que me incomoda é a voz do mundo
Fundo de certezas impensadas
Mente que vê
E acha que crê
Naquela humanidade desenhada
O que me estranha é a voz do coração
Aquele que sente a pureza descrente
Amor desumano
Nas notas da canção
A vida em gotas d’água
Sem certezas, só estradas
Caminhos certos na contramão
outubro 26, 2006
O trecho a seguir faz parte de um projeto que talvez seja o verdadeiro motivo da minha diferença nesse mundo indiferente. Encontrei sem querer e considero conveniente compartilhá-lo em primeira e única mão, antes do definitivo, aqui e agora.
"O meu corpo e as minhas sensações estavam explodindo num consentimento coletivo de que aquele era o momento de me transbordar, a minha terapia favorita do ato de compreender a vida sem pensar nos acontecimentos. Simplesmente deixando a música me levar, chacoalhando e misturando meus motivos interiores – que são muitos – ao teor alcoólico que circulava pelo meu sangue. A questão ali não era solucionar problemas e tampouco buscar mais. Bastava eu fingir acreditar na crença de que a força que havia me levado até aquele lugar era a mesma que havia levado todas aquelas pessoas, de modo que a nossa aliança era o compartilhamento de suor que saltava dos poros e se confundiam na tentativa de entender se eram meus ou se eram deles. Estava eu absorto por aquela energia, entregue a uma sensação desconhecida que me parecia tão cúmplice, até que avistei aqueles olhos. Aquele brilho parecia dizer um “sim, eu te entendo”, um “está tudo bem agora porque eu estou aqui”. Foi então que eu entreguei minha bebida a um barman que acabara de passar e decidi sair da minha inércia, voltando à lucidez. Sorri. E foi a melhor resposta em sorrisos que eu já tive, a promessa de que o céu existia e esperava por mim. Por nós. Como se uma bolha tivesse sido criada à nossa volta, e a música fosse o único elemento externo que permitíamos entrar, criamos nós o nosso momento de nirvana. Agora era uma terapia em conjunto, limitada a duas almas, formada apenas pelo remexer do corpo e o bater do coração. Não precisávamos de palavras, até mesmo porque, se as buscássemos, certamente não as encontraríamos. A música era a nossa oração, daquelas tão intensas e tão profundas, que não se tem a necessidade de pensá-las e refleti-las para que fiquem mais fortes. Era uma reza brava. De repente, a música começou a baixar de volume e eu comecei a achar que não tinha apenas dois membros superiores. Naquele momento eram quatro, eram oito, eram muitos. Meus olhos ganharam vontade própria e fecharam-se por si. Quando dei por mim, sua língua estava conhecendo a intimidade da minha. Não hvia a necessidade de palavras, os nossos olhos queriam conhecer o nosso interior e a minha alma reconhecia aquela alma como se a nossa cumplicidade existisse de anos, de séculos, outras vidas."
"O meu corpo e as minhas sensações estavam explodindo num consentimento coletivo de que aquele era o momento de me transbordar, a minha terapia favorita do ato de compreender a vida sem pensar nos acontecimentos. Simplesmente deixando a música me levar, chacoalhando e misturando meus motivos interiores – que são muitos – ao teor alcoólico que circulava pelo meu sangue. A questão ali não era solucionar problemas e tampouco buscar mais. Bastava eu fingir acreditar na crença de que a força que havia me levado até aquele lugar era a mesma que havia levado todas aquelas pessoas, de modo que a nossa aliança era o compartilhamento de suor que saltava dos poros e se confundiam na tentativa de entender se eram meus ou se eram deles. Estava eu absorto por aquela energia, entregue a uma sensação desconhecida que me parecia tão cúmplice, até que avistei aqueles olhos. Aquele brilho parecia dizer um “sim, eu te entendo”, um “está tudo bem agora porque eu estou aqui”. Foi então que eu entreguei minha bebida a um barman que acabara de passar e decidi sair da minha inércia, voltando à lucidez. Sorri. E foi a melhor resposta em sorrisos que eu já tive, a promessa de que o céu existia e esperava por mim. Por nós. Como se uma bolha tivesse sido criada à nossa volta, e a música fosse o único elemento externo que permitíamos entrar, criamos nós o nosso momento de nirvana. Agora era uma terapia em conjunto, limitada a duas almas, formada apenas pelo remexer do corpo e o bater do coração. Não precisávamos de palavras, até mesmo porque, se as buscássemos, certamente não as encontraríamos. A música era a nossa oração, daquelas tão intensas e tão profundas, que não se tem a necessidade de pensá-las e refleti-las para que fiquem mais fortes. Era uma reza brava. De repente, a música começou a baixar de volume e eu comecei a achar que não tinha apenas dois membros superiores. Naquele momento eram quatro, eram oito, eram muitos. Meus olhos ganharam vontade própria e fecharam-se por si. Quando dei por mim, sua língua estava conhecendo a intimidade da minha. Não hvia a necessidade de palavras, os nossos olhos queriam conhecer o nosso interior e a minha alma reconhecia aquela alma como se a nossa cumplicidade existisse de anos, de séculos, outras vidas."
outubro 15, 2006
Abobrinhas, não
Itamar Assumpção
Cansei de ouvir abobrinhas
vou consultar escarolas
prefiro escutar salsinhas
pedir consolo às papoulas
e às carambolas
pedir um help ao repolho
indagar umas espigas
aprender com pés de alho
ouvir dicas das urtigas
e dessas tulipas
um toque pro miosótis
um palpite do alpiste
uma luz da flor de lótus
pedir alento ao cipreste
e pra dama da noite
pedir conselho à serralha
sugestão pro almeirão
idéias para azaléias
opinião para o limão, pimentão
abobrinhas não
Itamar Assumpção
Cansei de ouvir abobrinhas
vou consultar escarolas
prefiro escutar salsinhas
pedir consolo às papoulas
e às carambolas
pedir um help ao repolho
indagar umas espigas
aprender com pés de alho
ouvir dicas das urtigas
e dessas tulipas
um toque pro miosótis
um palpite do alpiste
uma luz da flor de lótus
pedir alento ao cipreste
e pra dama da noite
pedir conselho à serralha
sugestão pro almeirão
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abobrinhas não
setembro 29, 2006
Por que o Frango Atravessou a Rua Mesmo?
(Por Sandra Nishida - Tia San - após comentários de um e-mail cômico)
oi amiga Juju!
é hilário né, eu dava risada lendo.
como vai vc? como estão as aulas, o emprego, a vida, as obrigações e os hobbies?
cada instante, aproveitado? olhar o dia, a noite, o transcorrer das horas?
tô meio poeta hoje! ontem dei aula até as 22:45, fui pra casa e meu pai estava acordado, fiquei vendo o debate dos candidatos na TV.
politica é algo que nao me atrai. nem um pouco, pq na teoria tudo é muito bacana, e numa mesa de bar a gente resolve tudo, mesmo nao bebendo...mas daí pra colocar em prática é complicado sim, o pior: vira retórica. Diz que diz, desmentido, acusação, querer fazer o adversario cair em contradição etc etc.
eles são nossos funcionários. programa de governo. candidato entra. e toda a sua horda. têm que mostrar resultado. se enrolar muito, cai fora. demitido. aí entra outro pra fazer o trabalho. com um adendo: se roubar, vai em cana. sem mais delongas.
nenhuma novidade pensar assim. é, reflexões de uma mesinha de lanchonete comendo pão-de-queijo e café, mas não em minas. aqui mesmo. sampa city.
saudade!!!!!!! precisamos combinar algo legal, light e cultural. eu tô louca pra ver o "retrato de dorian gray", lá no teatro popular do sesi. vamos combinar, num domingão??
bjão!
San
p.s.: desculpa os devaneios, eu tava querendo escrever sem pensar muito, saiu... ops!
(Por Sandra Nishida - Tia San - após comentários de um e-mail cômico)
oi amiga Juju!
é hilário né, eu dava risada lendo.
como vai vc? como estão as aulas, o emprego, a vida, as obrigações e os hobbies?
cada instante, aproveitado? olhar o dia, a noite, o transcorrer das horas?
tô meio poeta hoje! ontem dei aula até as 22:45, fui pra casa e meu pai estava acordado, fiquei vendo o debate dos candidatos na TV.
politica é algo que nao me atrai. nem um pouco, pq na teoria tudo é muito bacana, e numa mesa de bar a gente resolve tudo, mesmo nao bebendo...mas daí pra colocar em prática é complicado sim, o pior: vira retórica. Diz que diz, desmentido, acusação, querer fazer o adversario cair em contradição etc etc.
eles são nossos funcionários. programa de governo. candidato entra. e toda a sua horda. têm que mostrar resultado. se enrolar muito, cai fora. demitido. aí entra outro pra fazer o trabalho. com um adendo: se roubar, vai em cana. sem mais delongas.
nenhuma novidade pensar assim. é, reflexões de uma mesinha de lanchonete comendo pão-de-queijo e café, mas não em minas. aqui mesmo. sampa city.
saudade!!!!!!! precisamos combinar algo legal, light e cultural. eu tô louca pra ver o "retrato de dorian gray", lá no teatro popular do sesi. vamos combinar, num domingão??
bjão!
San
p.s.: desculpa os devaneios, eu tava querendo escrever sem pensar muito, saiu... ops!
setembro 25, 2006
Tá certo. Uma semana depois e todo mundo ainda fala da Cicarelli. Li uma crônica engraçada a respeito, mas não vou entrar em detalhes porque vão dizer que é protecionismo. Mas que poderiam deixar a moça de lado um pouco, ah, isso poderiam. Cicarelli não pode casar. Cicarelli não pode descasar. Cicarelli têm seis dedos no pé. Cicarelli deu na praia. Cicarelli foi subestimada pela Bruna Surfistinha. Que tal mudar de foco? Ei, olha eu aqui! Uma gordinha-sexy-fashion querendo atenção!!!!! Tudo bem, tudo bem, já tive meus quinze segundos de fama hoje. Uma menima me parou na rua (ohh!) pra perguntar a cor que passo no meu cabelo. É cereja, sim, cereja. Não chuchu. Cereja mesmo. E olha que hoje praticamente tomei banho de canequinha, não lavei o cabelo e mal o penteei. Imagine só quando meu cabelo for pink. Da próxima vez, perguntarei o nome da menina e escreverei um verso da Zelinha pra ela. Vou contar um segredo: isso aqui é uma tentativa de fuga. Ok, já passou. Vou me concentrar porque, falando em Zelinha, na próxima sexta terá homenagem ao Itamar. E a Cicarelli... bom, que garota de sorte!
setembro 18, 2006
O Herói Devolvido
Alguém aí está afim de trocar os lirismos literários por sangue?! Mas, ó, é sangue dos bons, tem que ter peito pra encarar. Vai fundo. Falo do Mirisola. Sim, o Marcelo. Ele tem um blogue agora, o Herói Devolvido. Encare aí: http://heroidevolvido.zip.net.
Alguém aí está afim de trocar os lirismos literários por sangue?! Mas, ó, é sangue dos bons, tem que ter peito pra encarar. Vai fundo. Falo do Mirisola. Sim, o Marcelo. Ele tem um blogue agora, o Herói Devolvido. Encare aí: http://heroidevolvido.zip.net.
Fruto de uma Geração
Oh, sim. Uma camisa de linho gasta, não combinando com a calça jeans envelhecida. Uma sacola de plástico na mão esquerda e, na mesma mão, uma vareta de uns trinta centímetros. Na cabeça, praticamente todos os fios brancos. Na outra mão, um cigarro. No fundo dos olhos, a produção de um longa de quase setenta anos. No coração, muitas esperanças idas e as últimas escapando na fumaça enviada pelo pulmão. Nos pés, ah sim, nos pés um bom e velho All Star surrado. E talvez esta seja a essência do que eu gostaria de me tornar daqui a alguns anos. Não apenas uma imagem. Uma essência lapidada. Coisa de quem não está nem aí para os medos da vida. Coisa de quem é inconformado com o mundo. De quem é inquieto. Coisa de quem busca revolução.
Depois que você vira adulto, passa a entender muitos aspectos da vida. E deixa de compreender muitos outros também. O mundo prossegue e você tem que escolher. Está tudo numa prateleira de supermercado. Você segue escolhendo entre rótulos, marcas e embalagens, até que o coletivo escolhe por você. Quando pára pra ver, dá nisso: uma geração movida pela inércia. Pergunto: aonde está "o futuro do país"? Cadê aquela sede de se libertar? Cadê a herança dos famosos anos 60 e 70? Cadê a moçada na rua dizendo não para a política suja? Cadê a produção cultural focada no coletivo? Cadê quem se veste com a armadura da coragem e vai lutar pelo todo? Cadê aquela movimentação acadêmica? A música falando pela gente? Cadê? Cadê?
Cusiosamente, isso tudo não está na TV nem no cinema. Mal dá pra dizer que isso é coisa de filme ou de novela. Porque o Brasil deu a luz a uma geração burra e irracional. Uma geração umbiguista, é verdade. Uma geração emotiva demais e apolitizada. Sem manifestos. Sem argumentações de um mundo melhor. Uma geração acometida pela síndrome do "deixa a vida me levar". E a vida leva sim: do nada a lugar nenhum. E quando a crise é enfatizada, vai todo mundo pro analista.
Uma camisa de linho gasta, não combinando com a calça jeans envelhecida, e um bom e velho All Star nos pés. E fim.
Oh, sim. Uma camisa de linho gasta, não combinando com a calça jeans envelhecida. Uma sacola de plástico na mão esquerda e, na mesma mão, uma vareta de uns trinta centímetros. Na cabeça, praticamente todos os fios brancos. Na outra mão, um cigarro. No fundo dos olhos, a produção de um longa de quase setenta anos. No coração, muitas esperanças idas e as últimas escapando na fumaça enviada pelo pulmão. Nos pés, ah sim, nos pés um bom e velho All Star surrado. E talvez esta seja a essência do que eu gostaria de me tornar daqui a alguns anos. Não apenas uma imagem. Uma essência lapidada. Coisa de quem não está nem aí para os medos da vida. Coisa de quem é inconformado com o mundo. De quem é inquieto. Coisa de quem busca revolução.
Depois que você vira adulto, passa a entender muitos aspectos da vida. E deixa de compreender muitos outros também. O mundo prossegue e você tem que escolher. Está tudo numa prateleira de supermercado. Você segue escolhendo entre rótulos, marcas e embalagens, até que o coletivo escolhe por você. Quando pára pra ver, dá nisso: uma geração movida pela inércia. Pergunto: aonde está "o futuro do país"? Cadê aquela sede de se libertar? Cadê a herança dos famosos anos 60 e 70? Cadê a moçada na rua dizendo não para a política suja? Cadê a produção cultural focada no coletivo? Cadê quem se veste com a armadura da coragem e vai lutar pelo todo? Cadê aquela movimentação acadêmica? A música falando pela gente? Cadê? Cadê?
Cusiosamente, isso tudo não está na TV nem no cinema. Mal dá pra dizer que isso é coisa de filme ou de novela. Porque o Brasil deu a luz a uma geração burra e irracional. Uma geração umbiguista, é verdade. Uma geração emotiva demais e apolitizada. Sem manifestos. Sem argumentações de um mundo melhor. Uma geração acometida pela síndrome do "deixa a vida me levar". E a vida leva sim: do nada a lugar nenhum. E quando a crise é enfatizada, vai todo mundo pro analista.
Uma camisa de linho gasta, não combinando com a calça jeans envelhecida, e um bom e velho All Star nos pés. E fim.
setembro 12, 2006
Indignação
Sei quando e mais ou menos onde. Sei que não gostei. Não me lembro quem ou exatamente de onde. Mas sei que não deveria. Até promoveria um protesto direto na fonte. Mas sem informações precisas, registro minha indignação aqui mesmo. E ponto.
Foi ontem, por volta das 21h20, no Canal Brasil. Assim, fugindo do horário político. Ele era idoso e pediatra. Foi dito que era um dos fundadores da Associação Brasileira de Pediatria ou coisa parecida. E foi convidado a comentar o filme "Anjos do Sol". Justo. Foi bem sucedido, afirmando que a criança não movimenta a prostituição. Não é uma prostituta, mas sim prostituída porque existem ações de terceiros imperando sobre ela. Comentário inteligente. Afirmou também que o pedófilo não consegue entender o mal que causa à criança e à sociedade. Bom observador. Mas dizer que a pedofilia culminará como a homossexualidade? Que não duvida nada de, daqui a algum tempo, a pedofilia ser aceita, assim como a homossexualidade???
O que diabos acontece com a cabeça deste senhor?!
Tudo bem que nem mesmo o Papa é a favor de ambas as coisas. Mas, até aí, quem foi que disse que o Papa é um ser racional? Tudo bem, tudo bem. Deixemos a religião fora disso tudo. A comparação de um crime a uma essência humana é que não dá pra deixar de lado. Gostaria apenas que este senhor fizesse jus a todas as coisas inteligentes que, certamente, ele deve ter proferido até hoje, e se amparasse aos seus vários anos de estudos para refletir sobre a frase infeliz que foi capaz de liberar. Sinceramente, não acredito que ele seja crente de tal afirmação. Não. Não é.
Sei quando e mais ou menos onde. Sei que não gostei. Não me lembro quem ou exatamente de onde. Mas sei que não deveria. Até promoveria um protesto direto na fonte. Mas sem informações precisas, registro minha indignação aqui mesmo. E ponto.
Foi ontem, por volta das 21h20, no Canal Brasil. Assim, fugindo do horário político. Ele era idoso e pediatra. Foi dito que era um dos fundadores da Associação Brasileira de Pediatria ou coisa parecida. E foi convidado a comentar o filme "Anjos do Sol". Justo. Foi bem sucedido, afirmando que a criança não movimenta a prostituição. Não é uma prostituta, mas sim prostituída porque existem ações de terceiros imperando sobre ela. Comentário inteligente. Afirmou também que o pedófilo não consegue entender o mal que causa à criança e à sociedade. Bom observador. Mas dizer que a pedofilia culminará como a homossexualidade? Que não duvida nada de, daqui a algum tempo, a pedofilia ser aceita, assim como a homossexualidade???
O que diabos acontece com a cabeça deste senhor?!
Tudo bem que nem mesmo o Papa é a favor de ambas as coisas. Mas, até aí, quem foi que disse que o Papa é um ser racional? Tudo bem, tudo bem. Deixemos a religião fora disso tudo. A comparação de um crime a uma essência humana é que não dá pra deixar de lado. Gostaria apenas que este senhor fizesse jus a todas as coisas inteligentes que, certamente, ele deve ter proferido até hoje, e se amparasse aos seus vários anos de estudos para refletir sobre a frase infeliz que foi capaz de liberar. Sinceramente, não acredito que ele seja crente de tal afirmação. Não. Não é.
setembro 04, 2006
Freudiando
Vez ou outra paro de ouvir música, de ler um livro, de acessar a Internet e de assistir à TV. Só de vez em quando. Então, uma explosão de sentimentos estranhos tomam conta de mim. Ora vergonha. Ora medo. Ora solidão. Ora confusão. Ora prazer amórfico. De repente, eu fico sem saber o que aliena mais: o fazer ou o não fazer. Então eu faço. E quando me arrependo, deixo de fazer. E me arrependo de novo.
Há pouco tempo eu quis ser uma estante de livros. Agora, eu quero ser uma flor. Daquelas que faz rir e chorar e nem por isso deixa de ser apreciada. Porque toda mulher é uma máquina de fazer rir e chorar, mas nenhuma é compreendida como se compreende uma flor. Só de olhar. Mesmo havendo vários manuais de instruções por aí. Agora eu queria ser uma flor e ter a vida simples e definida. Viver brevemente para todos os estágios do amor.
Vez ou outra paro de ouvir música, de ler um livro, de acessar a Internet e de assistir à TV. Só de vez em quando. Então, uma explosão de sentimentos estranhos tomam conta de mim. Ora vergonha. Ora medo. Ora solidão. Ora confusão. Ora prazer amórfico. De repente, eu fico sem saber o que aliena mais: o fazer ou o não fazer. Então eu faço. E quando me arrependo, deixo de fazer. E me arrependo de novo.
Há pouco tempo eu quis ser uma estante de livros. Agora, eu quero ser uma flor. Daquelas que faz rir e chorar e nem por isso deixa de ser apreciada. Porque toda mulher é uma máquina de fazer rir e chorar, mas nenhuma é compreendida como se compreende uma flor. Só de olhar. Mesmo havendo vários manuais de instruções por aí. Agora eu queria ser uma flor e ter a vida simples e definida. Viver brevemente para todos os estágios do amor.
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