julho 04, 2006

Os caras eram demasiadamente grandes. Todos os três. Será que passam muito tempo juntos? Dizem que, quanto mais tempo os cães vivem com seus donos, mais parecidos ficam. Vai ver isso acontece com os humanos também. Aí ela entrou. Totalmente estilosa. Fashion! Acho que aquela era sua aparência convencional. Afinal, eram oito horas da noite de uma segunda-feira. E veio a idéia: um dia eu ainda vou deixar o meu cabelo pink daquele jeito. Não obstante, está quase lá. Quer saber? Aquela situação estava pra lá de patética. Sim, é patético você sair de um lugar totalmente alternativo como o Espaço Unibanco e ir, oh!, para o Mc Donalds. Mesmo quando, surrealmente observando, esse Mc Donalds é situado praticamente na esquina da Paulista com a Augusta. Sim, patético. Adivinha qual era a Mc Oferta do dia? Oh, yeah! Mc França. Rá, disse ao Mc Garçom quase gargalhando. As meninas da frente riram comigo. Ops. Ela não está mais lá. Em certos momentos, o frio de São Paulo é um pouco cruel. Sentar-se na porta é uma estratégia para momentos solitários. Você pode observar quem entra e quem sai, incluindo os que entraram antes de você chegar. É possível observar também que o Orkut é sucesso nas paradas de acesso desta Mc Lan. Veja você como existem pessoas provocativas nesse mundo. Se essa Mc Faxineira esbarrar mais uma vez a sua vassoura na minha Mc Cadeira, ela verá muito bem o que é provocação. E aquele ali? Acha que está provocando alguém grande. Eu também já entrei no Mc Donalds com um Ovomaltine do Bobs. O máximo que consegui foi provocar uma gracinha. Patético de novo. Mais patético do que escrever no Mc Donalds será abrir o meu Dostoiévski. Está certo, ele não merece isso. Mas um dia o meu cabelo será pink igual ao daquela garota.

julho 01, 2006

Porque, na verdade, todo grande amor é platônico. E você só descobre o seu efeito um bom tempo depois. Pode vir num encontro de olhos desproposital. Ou trazido pelos ventos. Nas ondas sonoras, com a sensibilidade de uma música. Ou num e-mail. O problema é que ele sempre volta. Amores podem até ser esquecíveis. Mas isso não acontece com os grandes amores platônicos. E quando você está só e reconhece e desenterra um, como algo sobrenatural, o fantasma de todos eles reaparece. E você só tem as lembranças, os desejos, os sonhos. Não realizados. Amores. Não realizados. Platônicos, na verdade. Ainda assim, amores.

junho 29, 2006

Olhar à volta e deparar com um mundo em movimento, com as coisas e as pessoas em constantes mudanças, verificar o resgate de uma observação - o senso crítico - e transformar tudo isso num produto em favor do auto-conhecimento. Escrevo, antes de mais nada, para mim. Para me fazer entender com a esperança de ser entendida. Para libertar fantasmas, declarar sentimentos indeclaráveis, lançar teorias e, como conseqüência de tudo, fazer a diferença num mundo indiferente.

junho 26, 2006

“Que coisa mais esquizofrênica!” – Fernanda Young ao ver o jeito peculiar de Rita Lee ao assobiar no Programa "Irritando Fernanda Young".

junho 21, 2006

Proseando um pouco

Ninguém escreve para não ser lido. Pelo menos é este um dos motivos por haver tantos blogues flutuando no cyber espaço. Assim como ninguém faz parte do Orkut senão pela necessidade de se mostrar. Exceto aqueles tomados pela ânsia indescritível de saber da vida dos outros. Mas essa é uma outra história.

Refletindo sobre a existência do Proseando um dia desses, concluí que a idéia de escrever para ser lida e ser ouvida é realmente muito forte. Desde o início, eu segui postando aqui algumas teorias e pensamentos daqueles que, facilmente, poderiam ter sido deferidos num almoço qualquer, num bate papo na calçada ou numa conversa de bar. Sabe aquelas reflexões que a maioria das pessoas não está interessada e, quando gentilmente ouvem você, apenas o fazem para não parecer indelicadeza? E você vai falando, falando e o seu ouvinte tentando encontrar brechas para mudar de assunto e você prosseguindo num raciocínio freqüente, quase que praticamente impondo atenção ao seu discurso. A diferença é que eu sou uma pessoa muito persistente e, quando fico frente a frente com este canal, toda a criatividade acumulada já foi imposta para algum interlocutor não lá muito interessado. É uma pena. Mas prometo que tentarei não desperdiçar tantas argumentações desta forma daqui pra frente.

Pois bem, uma viagem interior ao gosto de escrever, o interesse prazeroso pela literatura e a necessidade de se auto-entender. É justamente por isso que o Proseando existe. Ele prossegue desde 2004 entre um post e outro, sobrevivendo a longos intervalos sem acesso, a algum comentário carinhoso e sem nenhuma comemoração específica.

Mas hoje é diferente. Tenho o orgulho de postar aqui que, graças a este blogue e, especialmente ao blogue da Clarah e do Marcelino (que, involuntariamente, me inseriram neste meio), existem olhares mais que interessados nos escritos que aqui descansam. Algumas crônicas acabaram caindo nas graças do meu ilustre professor de Língua Portuguesa e Produção Textual da Universidade do Grande ABC, Sergio Simka, coordenador do Grupo de Escritores da Uniabc, do qual faço parte (vide blogue bem aliao lado), e também autor de alguns livros.

Adianto desde já que uma crônica minha fará parte da Antologia dos Escritores da Uniabc e, de antemão, ohhhhh!, surgiu, como diria o próprio Simkão, a proposta indecente do lançamento de um livro de crônicas exclusivo. Como diria o Marcelino: eta danado!

Tudo isso aqui só pra dizer que o Proseando está em festa e vamo que vamo!

junho 19, 2006

Com sono. Mastigando fio dental. Fazendo charme. E sendo política.

junho 16, 2006

Estante de Livros

Não sei o que sou, mas tenho um leve palpite do que gostaria de ser. Agora, por exemplo, gostaria de ser uma estante cheia de livros. Possivelmente eu seria um ser bem sábio e jamais viveria sozinha ou subestimada. Ainda assim não gostaria de ser mãe, mas trataria todos os meus livros com singelos atos maternos. E eu também não viveria sem respostas. Caso as dúvidas aparecessem, eu poderia esclarecê-las em prateleiras superiores ou inferiores, todas bem próximas a mim. Tolos os que pensam que uma estante de livros é um ser inanimado. Por mais que me esquecessem num cômodo qualquer e eu ganhasse algumas partículas de poeiras de vez em quando, eu teria ao menos um visitante fiel. Em todo lugar existe um aficionado. Por mais livros que eu tivesse e fosse a base de sustentação de todos eles, não seria uma interina responsável. Eu seria apenas e explendorosamente uma estante de livros.

junho 13, 2006

O problema não é inventar. É ser inventado horas após hora e nunca ficar pronta nossa edição convincente.

(Carlos Drummond de Andrade)

junho 12, 2006

O Banheiro da Maria

Uma das coisas mais comuns desde que o mundo é mundo é a habitual troca de informações que as mulheres desempenham no banheiro. Um banheiro feminino proporciona um pouco de tudo. Desde reflexões filosóficas até firulas das mais superficiais futilidades humanas.

Mas quando você trabalha num ambiente em que a maioria das pessoas é formada por mulheres e o toallete não passa de um “dois pra quarenta coletivo”, você começa a não fazer muita questão dessa prática comunicacional. A complexidade feminina somada ao famoso jeitinho brasileiro acaba fazendo, quase que involuntariamente, com que você saia em busca de uma reflexão, digamos, mais introspectiva, na paz dos azulejos. Foi então que me dei conta de que a solução estava exatamente na porta à frente do “diário de bordo da empresa”. Um espaço com pouco luxo, com, vai lá, uns três (no máximo quatro) metros quadrados, um pitoresco chuveiro alocado exatamente em cima do vaso sanitário (???), cujo espaço entre um objeto e outro é arquitetonicamente dividido por um, sim, é verdade!, cabo de vassoura, que vai de uma extremidade e outra da parede. Mas para este eu sei a finalidade! Funciona precisamente como um varal para os panos de chão, louça e de tirar pó após suas respectivas higienizações.

Senhoras e senhores, com vocês, o Banheiro da Maria!

O ambiente ideal para dar um tempo do caos da vida pessoal ou corporativa por uns momentos, longe de interrupções, constrangimentos ou qualquer artifício que um banheiro coletivo venha a oferecer. E, mesmo que solitária, se houver a estranha necessidade de uma fofoquinha ou uma profunda reflexão, o Banheiro da Maria continua sendo a melhor solução. Entre produtos de limpezas, vassouras, rodos, estoque de papéis higiênicos e toalhas descartáveis, é possível encontrar edições recentes de Caras, Veja, Capricho, Minha Novela e, pasmem!, exemplares exímios de renomados escritores nacionais e internacionais.

Ninguém entendeu ainda porque respondo que “fui refletir” quando largo meu e-mail bombando, meu telefone esgoelando e o chefe arrepiando os cabelos e me refugio no Banheiro da Maria. Sem querer, me pego brincando com Drummond, dialogando com Clarice, ficando cega com Saramago ou conhecendo um pouco mais sobre a vida da Oprah numa revista qualquer. Muitas vezes, acabo refletindo sobre o fato de que, por alguns momentos, não importa você ganhar trezentos Reais por mês, ter cinco filhos, fazer supletivo na comunidade católica perto da sua casa e, uma vez por semana, visitar um advogado do Estado para saber como anda o processo do emprego antigo. Por alguns momentos não importa. Porque, mesmo fazendo parte do sistema, você pode sair da sua realidade em quatro metros quadrados e se deparar com um mundo real e fantasioso bem ao alcance dos seus olhos, entre páginas de revistas e livros que, provavelmente, nem mesmo o presidente da empresa aonde você limpa o banheiro e serve o café tem conhecimento.

Viva o Banheiro da Maria!

junho 09, 2006

Insight

O tempo passou e agora estou aqui, com meus entendimentos retardatários. Sem meus fones de ouvido e um roque ambiente ao fundo. Neste veículo com quase total ausência de espaço livre, você me aparece entre o relato do dia de um grupo de operárias. Talvez costureiras. Queria que suas lembranças viessem num momento mais poético. Longe da asma deste idoso. Mas você apareceu na minha mente como aparecem os bons pensamentos. As boas idéias. Iluminadas. Entre pensamentos e desejos, sorrio com minhas constatações. Com o fato de você estar bem, feliz e correndo atrás. Igual a todos nós que também corremos. Você tem um amor. Não é novo. É renovável. E eu estou incrivelmente feliz por você. Porque isso me basta. Assim como você me bastou um dia. O tempo passou.

junho 08, 2006

Ela voltou!

Ela voltou e agora alguma coisa que me prendeu por um tempão voltou junto. Ela voltou e eu posso de novo parar o meu trabalho no meio do nada e acessar o blogue dela para reaprender a dizer tudo e nada, assim, de repente. Parecia até que era um incentivo, um empurrãozinho, um combustível. E eu acho que láaaaa no fundo é isso mesmo. E agora eu vejo que estou mergulhada de novo naqueles momentos psicodélicos que costumavam fazer de mim o que eu gostaria de ser. E estou ouvindo Mutantes, o que me arranca umas gargalhadas de vez em quando, assim, do nada novamente. O que tenta me mostrar uma pontinha do que eu realmente sou, mas, como sempre, sem certeza de nada. Mas não importa, ela voltou: Adiós Lounge!

maio 16, 2006

Na fila do banco

O ar condicionado na potência máxima, como se o intuito de todas essas pessoas fosse uma visita longa à Era Glacial. Mas não. É só uma tentativa exagerada de fugir do calor em pleno outono. Mania estranha essa que paulistano tem de ligar o ar condicionado por qualquer razão. Está no carro e quer fugir do barulho urbano, pronto, fecha tudo e liga o ar condicionado. Está no escritório, o sol raiando lá fora, não dá outra, trava as janelas e bota esse ar pra funcionar. Por que é que em fila de banco deveria ser diferente? E ainda, para ajudar, essa fila quilométrica.

Sorte daquele moço todo engravatado. Pelo menos a camisa de mangas compridas dele segura a onda fria. O coitado chegou atrás de mim pingando suor e deve estar achando tudo uma maravilha. Queria só ver ele agüentar os quarenta minutos em pé que nem eu com essa frente-única. Para ajudar, a nervosinha aqui da frente esfregando esse boleto na minha cara. Mocinhaaaa, estamos no mesmo barco, dá pra entender? Está nervosinha, não quer ficar aqui, dê meia volta e vai embora. Só com as balançadas desse boleto, já entendi que você estuda na São Judas e que paga R$ 835,00 de faculdade. Como a data de vencimento é do dia 10 e, deixe me ver, estamos no dia 15, você tem uns bons reaizinhos de multa a pagar aí. Já sei. Seu pai obrigou você vir até aqui para pagar a faculdade, assim como a obriga a ir pra aula todas as noites. Hmmm... mas com essa saia gigante que você está vestindo, esses óculos by Dior na cabeça e essa imitaçãozinha barata de Louis Vutton, você é daquelas que senta mesmo, mas no banco do bar da frente da faculdade, né? No colo... ah, deixa pra lá!

E aquela guria encostada no divisor de filas? O glamour em pessoa e, ora essa, ela usa All Star! Sério, qualquer pessoa com All Star tem o mínimo do fashion no sangue, vai dizer que não? Para mim, quem usa All Star tem conteúdo, ideologia e merece respeito. E a guria é corajosa. Olha só aquele piercing no nariz e aquela tattoo no braço. A senhorinha atrás dela nem tem coragem de levantar os olhos, coitada. Uma faz cara de brava e a outra, cara de medo. Surreal, isso. Mas juro que vou fazer cara de terrorista se os TRÊS motoboys que ocupam os únicos TRÊS caixas que estão funcionando permanecerem lá nos próximos três segundos. Senhoras e senhores, tem caixinha de sugestão nesse banco? Vou sugerir agora mesmo um novo procedimento: os motoboys têm das dez ao meio-dia para realizarem seus serviços. Depois disso, só os brasileiros normais, aqueles com contas vencidas que não podem ser pagas nem via internet e nem via telefone, podem usufruir dos serviços bancários nas agências. Não é uma boa idéia?

Brasileiro é assim mesmo. Tem de agüentar todas essas caras e bocas até chegar a sua vez. Mas quando chega a sua vez - que novidade! -, o sistema sai do ar. E você ainda tem que se conformar, chegar em casa, ligar a TV e ouvir que o seu banco é o mais completo do país.

março 22, 2006

Auto-compreensão

Tudo o que eu queria era ter em mim ausência total de alguns sentimentos e presença constante de outros, de modo que tudo que eu faça não seja egocêntrico demais, a ponto de satisfazer somente a mim, e nem egoísta demais, a ponto de satisfazer somente aos outros.

Tudo o que eu queria era fugir desse triângulo, mesmo que a minha condenação fosse superficial demais e a minha pena fosse jamais desenvolver algo que seria tão bonito enquanto durasse.

Tudo o que eu quero é que minhas palavras soem genuinamente sinceras, ao passo que a força e verdade que em nelas há, faça com que minha dignidade se fortaleça a cada olhar lançado sobre o que eu digo.

Estou de volta ao meu mundo. Saúde!

março 20, 2006

Ao mestre com carinho (ele, o tempo!)

A subjetividade tem falado em meu nome ultimamente. Fazia tempo que não me sentia assim. É paradoxal, mas estes momentos são os que mais me proporcionam um auto-conhecimento. A vida me faz professora e aluna ao mesmo tempo e eu fico pra cima e pra baixo com um caderninho nas mãos, anotando as observações mais importantes. É como seu eu saísse do estágio de aprender com os erros dos outros e passasse a aprender com os meus próprios erros. Sim, eu os reconheço aqui e ali, às vezes, de mãos dados erros alheios. Mas isso não importa mais.


Eu me acerto

(Zélia Duncan)

Não pensa mais nada
No final dá tudo certo de algum jeito
Eu me acerto, eu tropeço
E não passo do chão
Pode ir que eu agüento, eu suporto a colisão
Da verdade na contramão
Eu sobrevivo
E atinjo algum ponto
Eu me apronto pro dia seguinte
Escovo os dentes
Abro a porta da frente
Evito a foto sobre a mesa
E ninguém aqui vai notar
Que eu jamais serei a mesma

dezembro 23, 2005

Proposta de Natal

Há doze meses, defini o Natal como tempo de pensar o bem, desejar o bem e praticar o bem. Propus um renascimento coletivo e, meio que nas entrelinhas, uma renovação de espírito.

Há vinte e quatro meses, refleti sobre o espírito natalino. Abri meu coração para cada mensagem de Natal, cada abraço, pensamento ou atitude natalina.

Hoje, estou aqui tentando não cair na redundância, escapar dela e inovar. Tudo em vão porque os desejos continuam os mesmos, a necessidade de paz continua a mesma, as pessoas continuam precisando se espiritualizar cada vez mais e o significado do 25 de dezembro é o mesmo de há 2006 anos.

Por isso, agora não quero desejar. Quero propor, você aí se compromete? Quero propor mudanças, experiências, atitudes do bem: uma mudança de hábito, alguns sorrisos a mais no rosto, uma nova idéia na cabeça, um pensamento positivo, um “eu te amo” inesperado, qualquer coisa que cause efeito nessa pessoa aí do seu lado.

Quero propor que você, meu amigo do peito, acenda a sua estrelinha e entenda que o brilho próprio dela é você. Lute pela sua causa, pelo seu mundo melhor, para ser a diferença nele. O Irmão lá de cima vai te ajudar, mas não se esqueça de que você é responsável por traçar a estratégia.

A minha proposta é que você alcance o seu sucesso; que você conquiste novos amigos, que você descubra novos amores; que você torne-se saudável.

O seu 2006 poderá ser diferente, depende de você.

Aqui, a minha proposta de um FELIZ NATAL e de um 2006 MÁGICO.

novembro 16, 2005

Hóspede do tempo

(Fred Martins/Zélia Duncan)

Sou hóspede do tempo
Da minha casa
Das minhas palavras
Das coisas que eu declaro minhas
Inquilina da vida que me foi dada
Portanto nada
Ficou na minha bagagem
Do velho brinquedo
Que já não me ilude
O que eu tenho é minha atitude
O que eu levo é minha atitude
O que pesa é minha atitude
Minha porção maior

setembro 25, 2005

Fique

Passaste por mim e deixaste lembranças. Sim, eu ainda as tenho – lembranças. Esquecida que sou, me esqueci de esquecer-te. E querer-te ainda está nos meus planos. Se tenho tuas lembranças, ainda tenho tu.
E tu, beleza encantadora, ainda és minha. Não tenho apenas lembranças. Mais que isso: tenho esperanças. Tudo o que preciso agora.

setembro 21, 2005

Escuro

Fecho os olhos e me enxergo melhor. Assim como Malte Laurids Brigge, que começou a ver aos vinte e oito anos, também eu comecei a ver já crescida, aos vinte e três. Fecho os olhos e deixo a lógica conduzir meus pensamentos. Logo eu, que jamais permiti ao meu lado humano transcender as barreiras do real e absoluto. Vejo melhor agora, sim, mas ainda de olhos fechados. Talvez algum dia eu os abra. Quando a minha visão míope não me incomodar mais. Aos trinta e três, será? Agora, preciso agora! Alguém me ensina a sentir?

setembro 20, 2005

E esse "não", o que é?

Agora que você veio, não quero mais. Pode ir, pode ir. Vá! Não te quero aqui. Não consigo. Não posso. Quero. Quero minha paz de volta. Minha cabeça no lugar de sempre. Quero minhas dúvidas comigo. Não essas, as outras. Quero meu coração inteiro,
batendo Zélia Duncan e não Maria Bethânia. Isso aqui não tem serventia, me diz? Leve tudo: meu desejo, meus óculos, meus sapatos. As canções. Deixe apenas meu sorriso - aquele que te cumprimentou pela primeira vez - e a linda imagem de canto do olho.

setembro 19, 2005

A luz da estrela mais linda que sorri em sua constelação

Como expor certas coisas sem parecer clichê? Dizer e redizer tudo o que já foi dito pelos outros sobre esse tipo de coisa que poderia ser tão bem dita por você mesma? Nessas horas, se arrepender é fácil e quase imprescindível. Rever certos conceitos também. Mas é inevitável não ser hipócrita e não enxergar a covardia que brota dos poros. Milagres existem? Estão por aí? Ofereço tudo o que tenho por um deles. Aceito empréstimo, consignação, permuta ou qualquer outra proposta que faça isso acontecer de uma vez. Que faça ser tão perfeito como espero que seja, que, assim como estas palavras que saem facilmente, simplesmente aconteça. Aconteça e faça brilhar essa mágica que me faz desligar do mundo e esquecer de certas importâncias. É forte, muito forte. E está começando a doer. Meu medo é que isso vá além do que parece possível. E se não for possível eu suportar? Não suportar também é clichê? Danem-se os clichês! Aos diabos com os medos! Uma gota de coragem e é tudo. Tudo para trazer sol às trevas. E eu só gostaria de saber como isso aconteceu. Veio assim, sem avisar. Do nada! E não está me levando à nada senão às expectativas de quem espera sentada. De quem em sua espiritualidade ainda acredita em milagres. De quem, mesmo diante de toda grandiosidade, insiste em não aceitar. De quem nunca sentira isso antes. De quem nunca mais vai rir ou duvidar ou julgar. Será que isso é? E agora?